Dia-a-dia, descobrindo a cidade...
Nesta parte do livro, finalmente, as atrações turísticas de Paris...
Como já dito, elas foram agrupadas em “Idéias”, onde cada idéia reúne uma atração principal e algumas secundárias, localizadas nas proximidades desta atração principal. No decorrer do livro, as Idéias seguem, em geral, uma seqüência histórica-cronológica, ou seja, começamos com o ponto turístico principal mais antigo (o Rio Sena, claro), na “Idéia A”, e vamos indo, nas Idéias seguinte, das mais velhas das atrações (Notre-Dame, na “Idéia B”; a Monalisa, na “Idéia C” etc.) às mais novas (os pintores impressionistas, na “Idéia F”; o Maio de 68 na “Idéia J” etc.).
Há várias formas de se fazer turismo no país, na França. Uma é ver as coisas sem qualquer ordem definida. Outra é tentar seguir um roteiro histórico: começar por visitar as atrações das mais antigas às mais novas. Outra é fazer um tour gastronômico pelas diversas regiões do país. Ou um roteiro dos vinhos. Como nos concentramos em Paris, foi feita esta opção pelo tour histórico-cronológico.
Quais são os pontos turísticos mais conhecidos de Paris? A Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o Rio Sena, a Avenida Champs-Elysées, o Museu do Louvre e a Catedral de Notre-Dame. Que estão localizados no 1o, 4o, 7o e 8o arrondissements, regiões da cidade separadas apenas pelo próprio rio. Em apenas um dia, é possível pegar um barco (“bateau”) pelo rio e ir parando na Catedral, no Museu etc. É possível fazer em 1 ou 2 dias, sim, o “pacotão” parisiense.
Seria possível organizar as 100 atrações turísticas principais da França em ordem cronológica? Sim, mas seria complicadíssimo para o turista fazer o roteiro, pois teria que passar boa parte do dia se deslocando, pois na maioria das vezes uma construção que, por exemplo, data apenas de 50 anos depois de outra está em um arrondissement do outro lado da cidade. Além do quê, são estes seis, e apenas estes, os pontos que são praticamente inevitáveis, “clássicos”. Por esta razão os primeiros capítulos desta parte do guia foram organizados numa ordem que vislumbre a visita destes pontos em ordem cronológica.
Qualquer guia da França é um transbordamento de locais bonitos e interessantes, afinal o país tem uma civilização antiga, uma história rica e, o mais importante, bastante preservada. Comparando-se com o Brasil, a grande maioria das cidades é bem mais limpa, mais linda; qualquer igreja tem séculos e é deslumbrante...
Porém o viajante que cair na fria de tentar ver tudo que é indicado em um guia ficará louco. O “Guia Visual França”, da Folha de São Paulo, por exemplo, lista mais de 100 pontos turísticos principais em Paris. Em um mês é possível ver todos. Mas a maioria dos turistas não passará um mês na cidade... E nem tudo que está em um guia nos interessa. Por isto não se fala muito de tudo aqui, pois, além de impossível, sempre causa um pequeno mal-estar pensarmos que não estamos visitando aquela atração tão bem recomendada. As atrações menos interessantes virão, portanto, em uma fonte de texto menor.
Não se irá fazer, portanto, neste Guia, uma descrição exaustiva sobre várias igrejas ou museus. Falamos quase que apenas do “crème de la crème”. Paris possui inúmeras igrejas e museus interessantes, que comparados aos do Brasil, serão sempre “lindos”, “fantásticos”. Mas que, se comparados entre si, alguns se destacarão mais que os outros. Concentre-se neles, e se o tempo sobrar e houver disposição, parta ao encontro dos outros.
Contudo, antes de iniciarmos propriamente este passeio, é útil que sejam feitos alguns comentários gerais sobre alguns tipos de atrações, como museus, igrejas etc.
É o que faremos neste capítulo.
Sobre igrejas
Sobre igrejas, convém destacar a diferença entre as construções românicas e as góticas.
As românicas foram erguidas por volta do século XI, e baseiam-se em modelos antigos romanos: paredes espessas, parte superior mais arredondada.
Já a arquitetura gótica é possível graças a um progresso técnico: os arcobotantes. São grandes arcos que, transferindo o peso da estrutura para baixo, permitem a sustentação de um maior volume. Assim, surgiram igrejas mais altas, com janelas maiores e várias torres “espetando” rumo ao Céu. O estilo gótico também possui uma profusão de detalhes, nas paredes externas, maior que o românico.
O interior das igrejas românicas é mais estreito, e sua planta, vista de cima, lembra uma cruz, pela presença de transeptos (câmaras laterais). O interior das góticas é mais amplo, e não tem os transeptos.
Claro, existem igrejas que misturam estas características.
Há uma abundância de igrejas em Paris. Apesar disto, oficialmente o país é laico (desde 1905, há uma lei que separa a Igreja e o Estado). E, em um país onde a filosofia desenvolveu-se tanto, era de se esperar que a religião não tivesse um papel tão importante.
Por que tantas igrejas, então? Primeiramente, porque a maioria foi erguida há séculos, quando a Igreja Católica era muito poderosa. Em segundo lugar, porque muitas igrejas não foram erguidas especificamente para suprir uma necessidade de templos religiosos, mas sim para pagar “promessas” – reis antigos costumavam fazer isto, em troca de vitórias em guerras, por exemplo.
Sobre museus
A “Carte Musées-Monuments” é um bilhete que permite a entrada em 74 locais na Grande Paris, e pode valer por 1 dia (€ 18), 3 (€ 36) ou 5 dias consecutivos (€ 54).
Sendo impossível visitar bem os mais importantes museus em um dia, seria necessário comprar o cartão de 3 ou 5 dias. Uma idéia é comprar o de 3, para não ficar preso demais à obrigação de ver museus a semana toda e, caso vá ficar por um período maior na cidade, visitar outros que achar interessante aos domingos, quando a entrada é mais barata ou gratuita.
Vale lembrar que o cartão só compensa se pretende visitar-se mais de uma atração paga por dia, porque, por exemplo, a entrada no Pompidou custa € 10 – ou seja, visitando-se dois museus por dia, o custo seria praticamente o mesmo. Outro exemplo: o cartão não é aceito em alguns locais, como a Torre Eiffel. E lembre-se que muitos dos museus, igrejas etc., perdem o atrativo depois que já se visitou os mais importantes.
Uma vantagem do cartão é não ter que enfrentar filas, a cada museu, para comprar o bilhete de entrada. Mas, na baixa temporada, estas filas são rápidas.
A maioria dos museus possui um pequeno guia de visitação, gratuito, traduzido em várias línguas.
Em quase todos os museus também existe uma lojinha de souvenirs relacionados ao museu. Vendem-se, neles, reproduções de telas, agendas etc. E também livros que falam sobre as principais obras do museu. São bonitos, e podem servir como “decoração de sala”, ao voltar de viagem. Compensa comprar o de todos os museus que visitar apenas se for mesmo lê-los depois – pois é impossível, por uma questão de tempo, fazer isto enquanto se visita o museu; e também porque significarão mais peso na bagagem. Neste nosso Guia procuramos já passar ao leitor todas as informações mais interessantes sobre cada um dos mais importantes museus parisienses.
Sobre gastronomia
Em Paris, comer não é uma atividade que realizamos apenas por necessidade. O país é famoso pelo cuidado na arte culinária; então um roteiro gastronômico é imperativo.
Porém, de um modo geral os guias passam a seguinte impressão, quando os lemos: os restaurantes dos grandes chefs são os mais caros, mais gostosos e mais chiques. Depois vêm os restaurantes menos famosos. Depois as brasseries e os bistrôs. Por fim, os cafés. O que nos induz a pensar, e agir, da seguinte maneira: se quero gastar menos, melhor ir a uma brasserie do que a um restaurante. Se quero luxo, melhor ir num restaurante caro. Porém, nem sempre é assim. O nível de preços e de qualidade de qualquer tipo de estabelecimento varia muito (existem, por exemplo, muitas brasseries chiques e caras).
Além do quê, muitas vezes é difícil fazer uma distinção: qual a diferença, por exemplo, de uma brasserie e de um bistrô? Um exemplo: em um site amplo, que citava vários estabelecimentos alimentares, entre as brasseries haviam vários estabelecimentos cujo nome era “Café tal”...
Mas... vamos lá, tentar uma distinção mínima.
As brasseries surgiram na região da Alsácia, fronteira com a Alemanha e, originalmente, eram ligadas a cervejarias. A palavra “brasserie” significa mesmo “cervejaria”. Servem chope e “vin de la maison” (“da casa”). Muitas têm uma banca de mariscos frescos do lado de fora. A maioria dos guias diz algo assim sobre as brasseries: “refeições de boa qualidade a preços módicos”. Mas, como dito, isto é uma simplificação: os preços nem sempre são módicos, os pratos nem sempre são simples.
Existem algumas redes de brasseries em Paris, como a Flam`s (menu: €12 à 17 – experimente “La Flammekueche”; com um ambiente jovem), e a Petit Bofinger (menu: € 18 à 27).
As brasseries eram as cervejarias. Mas hoje existem os pubs, e também os “bares de cerveja”. Nestes últimos é que encontramos, hoje, uma grande variedade de cervejas, tanto importadas, em garrafas, quanto retiradas na hora (o nosso “chope”). Vale lembrar que o preço cobrado a quem bebe nas mesas chega a ser o dobro do servido ao balcão (“comptoir”). Outra coisa: acostume-se com a idéia de que a cerveja lá é menos gelada que no Brasil...
O bistrô é um dos tipos de restaurante mais comumente freqüentados pelo francês. Também servem refeições rápidas.
Os russos, quando na França, gritavam “Bistrô!”, que quer dizer “Rápido!”, daí ficou o nome.
Os famosos cafés franceses... Só não se esqueça que a pronúncia é “cafê”. São ambientes onde se pode comer também, mas, em geral, são mais freqüentados para conversar, “ver o movimento”, ler um jornal e, até mesmo... tomar um café.
O visitante que não conheça a Europa estranhará o sistema. Não existe “conta”. Você pede um chope (“demi”), ele te traz já com o recibo, que deve ser pago na hora. Se quiser outro, peça e pague novamente. Provavelmente porque as mesas estão nas calçadas, e assim evita-se que alguém “esqueça-se” de pagar a conta de 5 chopes e vá embora. Mas também porque os cafés têm mesmo este caráter de ser apenas uma parada rápida.
Também existem algumas redes de cafés. O “Chez Clement” é uma com cerca de uma dezena de estabelecimentos em Paris, com decoração bem familiar.
Aliás, outra fama francesa são os pães: procurar as “boulangeries” - as patisseries são as confeitarias. E os queijos: procurar por “fromageries”. Já as “charcuteries” são especializadas em frios e delicatessen.
Uma outra coisa comum em Paris são os “sanduíches gregos”. São pequenos estabelecimentos (que lembram os “botecos” brasileiros), onde, por cerca de € 5 come-se um sanduíche de pernil fatiado e uma porção de batatas fritas.
Mas se estamos realmente a fim de almoçar, e não “lanchar”?
Nos restaurantes mais comuns, existe quase sempre um “prato do dia” (“plat du jour”), que é mais barato (simplesmente porque é feito em maior quantidade), mas pode-se escolher algum outro do menu. A refeição segue um padrão: entrada, prato principal, queijo (nem sempre) e, por fim, sobremesa.
(Gosto é gosto, mas, nestes restaurantes, o prato que mais me apeteceu foi ...)
Se a opção é comer o mais barato possível, a França também possui seus “self-services”. Que, além do preço menor, oferecem ao visitante a opção de provar mais variedades (simples, claro) da culinária francesa do que optar por apenas um dentro de um restaurante.
(Falar o nome daquele)
Já os restaurantes dos chefs famosos são os mais caros, evidentemente. Mas muitos deles montaram um outro restaurante, mais acessível, com qualidade quase igual. Listamos alguns neste guia, sob a rúbrica... Vá bem vestido. Alguns lugares exigem paletó e gravata. E tente distingüir a “haute cuisine” da “nouvelle cuisine” – molhos fortes x molhos leves (realçando o sabor original dos ingredientes).
Uma curiosidade: no Guia Michelin, França e Alemanha são os países que mais possuem restaurates “3 estrelas” (cotação máxima). Para que se tenha uma idéia do rigor desta avaliação, Paris, mesmo com toda seu esplendor culinário, só possui 7 restaurantes com a nota máxima. Sendo assim, quando indicarmos um ....
Existem também muitos restaurantes que não são de chefs famosos, mas que são recomendados nos guias como sendo de boa qualidade (e preço mais elevado). Cito alguns no guia sob a rúbrica
(Não cheguei a ir a nenhum destes, pois me custaria alguns dias de viagem. Pois é uma das poucas coisas que me arrependo nesta viagem. Mesmo que não se goste do prato, pelo menos pode-se dizer “não gostei, mas fui!”).
Algo muito interessante em Paris, é que a cidade é um centro de convergência de nascidos em muitos outros países. Por isto, floresce a culinária de locais “exóticos” como Marrocos, Índia, Laos etc. Acho pobreza de espírito ir à cidade e não experimentar, pelo menos. São chances únicas. Já uma pizza em Paris, por melhor que seja, não deixará de ser uma pizza... No nosso país, penso que talvez apenas São Paulo e Brasília (esta, pela profusão de embaixadas e, por conseqüência, de estrangeiros) tenham tantos restaurantes de vários países. Coloquei tais restaurantes sob a rúbrica “Restaurantes étnicos”, pois “cozinha internacional”, a rigor, teria que englobar as pizzas, os restaurantes japoneses, as massas italianas – tudo que já temos aqui no Brasil.
(Um falso achado: o restaurante que serve insetos. Até aonde vai seu gosto pelo exótico? Em um dos sites, havia, à frente do nome de um restaurante, a palavra “insects”. Pensei que realmente servissem insetos, e preparei-me psicologicamente para o grande dia. Que nada, não servem. Ou desconversaram, por um motivo qualquer – talvez seja uma seita secreta...)
Por falarmos em exotismo, Paris possui muitas casas de chá (“thé”), onde pode-se experimentar o narguilé, aquele estranho objeto no qual fuma-se vários tipos de essências, por um mecanismo obscuro de defumação. Aos não fumantes: na verdade, não é bem fumar. Aspira-se um vapor,
Fumei um de
Foto narguilé
Existe distinção em áreas de fumantes e não-fumantes? Sim, claro, eles são civilizados. Mas, como fumam demais, “os responsáveis pelos bistrôs de Paris agora têm à mão um cartaz de não-fumante que podem pendurar acima da mesa de qualquer pessoa que tenha pedido um lugar para não-fumantes” (Guia Folha). Só rindo mesmo...
E, enfim, o McDonald`s... Você faz mesmo questão, depois de toda esta relação, de ir ao McDonald`s? Uns vão para “matar a saudade do Brasil”. Outros, em uma pesquisa antropológica, “para ver se é mesmo igual o do Brasil”. Sim, Paris também tem... falar mais disto no mitos
Sobre vinhos
Para beber, existem as já citadas casas de cerveja, mas a fama francesa são os vinhos. Os “bars à vins” são a pedida. Existem inúmeros. “L`ecluse” é uma cadeia de “bars à vins”. Entre outras opções, serve também comida japonesa.
Para quem não entende realmente de vinhos (99% de nós), compensa pedir no restaurante o “vinho da casa”, que não chega a ser ruim, mas não chega a ser caro.
A lei francesa divide os vinhos em ordens de qualidade (crescente): Vin de table, Vin de pays, Vin Delimité de Qualité superieur (VDQS) e Appellation d`Origine Controlée (AOC). Já vimos tentativas de tradução da palavra “appellation” como “Vinho de apelação controlada”. O verbo “s`appeller” significa “chamar-se”. Por que não traduzir como “vinho de nomeação”, ou “rotulação”, ou “denominação controlada”? (Eu poderia fazer um trocadilho agora, dizendo que o que fazem nesta tradução é “apelação”... mas não farei!).
Em último caso (quando o dinheiro estiver no finzinho), a água de torneira é grátis e pode ser bebida! No Brasil não temos preconceito contra beber água de torneira, mas medo mesmo – sabe-se lá a qualidade de nossas águas! Por falar nisto, existe também em Paris um estabelecimento que é especializado em águas. Há que se ter um paladar bastante sensível para se achar interessante degustar diferentes águas...
- degustando queijos
- degustando vinhos
Sobre a noite parisiense
Noite
- bares
- clubes de jazz
- um pub diferente
- boates
- cabarets
- cararets-strip
- pontos brasileiros
IDÉIA A
O CITYTOUR e o RIO SENA
“De manhã andei pelas ruas, debaixo de uma chuvinha fina. Pensei em ir ao Louvre, à Notre-Dame, à Torre Eiffel – de repente achei tudo sem graça e sem sentido, descobri que depois de tantos anos de expectativa afinal eu não estava preparado para conhecer Paris. De tudo que tinha lido ou ouvido dizer, não me ocorria nada que me parecesse interessante verificar com os próprios olhos.
Mas esbarrei com Mafalda e Érico Veríssimo.
Falei-lhes do meu infortúnio. Acharam graça e imediatamente providenciaram um tratamento de choque para acabar com a “febre de turista” que me atacou. Segundo eles, é uma doença que costuma apanhar turistas incautos, feita de expectativa, ansiedade, decepção. Uma confusão de sentimentos de quem se vê de repente vivendo uma experiência cuja excitação não tem condições de assimilar. Depois me meteram num ônibus para um tour de duas horas por Paris. Vi o Louvre, Notre-Dame, Panthéon, Bastilha, Montmartre e tudo mais que gostaria de ver. Aqui e ali me prometendo voltar depois para ver tudo melhor. Um deslumbramento. Estou completamente curado.”
(Fernando Sabino em De cabeça pra baixo, Record, 1989)
Acho que não precisamos dizer mais nada. O excesso de coisas “à fazer” pode acabar com nosso ânimo. O citytour desafoga esta pressão.
O citytour
Os ônibus que fazem uma rota por toda a cidade podem ser facilmente contactados de qualquer hotel. Ou podem ser pegos em vários pontos da cidade.
Os preços podem variar muito. Há de 20 a 80 euros, dependendo do serviço oferecido.
Estes tours são comentados, mas passam por tantos locais em tão pouco tempo que não acreditamos ser possível que te digam mais do que o que você já está cansado de saber sobre os locais vistos.
Já que andará mesmo todos os dias de ônibus ou metrô, deixe de frescura e compre logo a “Carte Orange”, semanal (14,50 euros) ou mensal (48,60 euros). Ela dá acesso irrestrito a ônibus e metrôs. E
E então, dê uma volta de ônibus, descompromissada, pela cidade, veja de longe alguns “cartões-postais”, outros mais de perto, coma alguma coisa. Uma sugestão é a linha regular número 95, que circula entre o Montparnasse e o Montmartre, duas regiões distantes uma da outra.
A maioria dos guias fala da qualidade dos metrôs de Paris (isto não é uma verdade absoluta: sim, são rápidos, mas em determinadas linhas e horários são cheios – contudo, nenhuma viagem durará mais de 15 minutos, logo não é o caso de desesperar-se). Porém, para o flâneur, os ônibus são bem mais interessantes. Se não há pressa, por que irmos pelo subsolo se podemos ir por cima, vendo tudo e descendo onde parecer interessante? (Aliás, para o verdadeiro flâneur o ônibus é um acessório também pouco utilizado, o que vale mesmo são os pés.)
Contudo, existe uma maneira mais pitoresca de fazer o citytour, que é pegar, no rio, um barco, onde se pode inclusive almoçar ou jantar. Da Pont Neuf, na Île de la Cité, parte um que faz um percurso que, descendo o rio, permite que se vejam algumas das principais atrações em ordem cronológica, do mais velho (Notre-Dame) ao mais novo (Torre Eiffel).
Mas a verdade é que o percurso ao longo do rio também pode ser feito à pé, o que talvez seja a forma mais interessante.
De qualquer forma que faça o citytour, o que importa é que você voltará para o seu hotel mais tranqüilo, pronto para começar no dia seguinte uma suave maratona por pontos turísticos “imperdíveis”.
O Rio Sena
Este rio tem 750 quilômetros, nascendo na região de Borgonha e terminando no Canal da Mancha.
Divide Paris em duas, a Rive Gauche (lado esquerdo) e Rive Droite (direito) - as margens esquerda e direita de um rio são definidas em relação a quem desce o rio. Se olhar novamente o mapa da página, a Rive Gauche é a parte Sul da cidade, e a Rive Droite, a parte Norte.
O centro da cidade é cortado por ele, portanto a maioria das lojas, dos monumentos, dos acontecimentos está nas proximidades do rio.
Forma, na cidade, duas ilhas: a Île de la Cité, onde foi construída, à partir do século XII, a Notre Dame; e a Île Saint-Louis.
Costuma dizer-se que na Rive Droite estão os prédios do poder, dos negócios, e que a Rive Gauche tem uma tendência mais popular. Na prática, esta separação não é assim tão óbvia.
Nesta flanêrie pelas margens do rio, sugerimos gastar um tempo com os bouquinistes...
Les bouquinistes
Os bouquinistes são vendedores de livros usados, e se encontram às margens do Sena. Eles surgiram no século XVI, e seu nome deriva da palavra “boeckin” (“pequeno livro”, ou “livro ruim”, em flamengo).
Na época que apareceram, chegaram a ser considerados bandidos, pois o país estava em conflitos religiosos, e eles vendiam folhetos protestantes (proibidos, então), “por baixo dos panos”.
A princípio transportavam seus livros em charretes puxadas à mão. Logo passaram a fixar ponto nos parapeitos do rio. Na época da Revolução Francesa, alcançaram o auge, pois bibliotecas inteiras eram confiscadas, e eram “encontradas” entre os bouquinistes.
No século XX passaram a ter sua atividade regulada: o tamanho das caixas deveria seguir um padrão, assim como a cor, o máximo de produtos outros que não fossem livros que poderiam vender e o número mínimo de dias por semana que deveriam trabalhar. Hoje são 250 em atividade.
Existem muitos bouquinistes quoe realmente vendem apenas livros antigos. Mas boa parte deles, hoje, são uma espécie de “camelôs disfarçados”, que possuem apenas alguns livros, fachada para a venda de souvenirs parisienses de toda a espécie.
Três dicas: 1) se quer mesmo comprar livros usados, vá aos quarteirões da Rive Gauche pertos do rio, onde encontrará sebos, com livros em preços melhores; 2) se for comprar muitos souvenirs não compre nos pontos turísticos: são mais caros. Andando, você encontrará vendedores em locais menos movimentados; 3) evite também compra-los logo no primeiro dia, pois poderá, nos dias seguintes, achar coisas mais interessantes.
IDÉIA B
CATEDRAL DE NOTRE-DAME e ÎLE ST-LOUIS - entrando no 4éme
Uma linha imaginária passa sobre a Île de la Cité e a divide entre o 1o e o 4o arrondissements. A Notre-Dame está no 4éme.
O Centre Pompidou, importantíssimo museu que abriga grande parte da pintura moderna, também está neste arrondissement, mas por seu valor, e por termos optado por um turismo cronológico, falamos dele em outro capítulo, assim como do restante das atrações do 4éme. Tire o dia para a visitar a Catedral e, com o tempo restante, flanar pela vizinha Île St-Louis.
Roteiro sugerido: começar pela cripta, que é bem mais antiga que a Igreja, e nos dá a chance de voltar às origens da cidade. Aproveite e dê uma olhada, na ilha ainda, no Hôtel Dieu, que é mais antigo que a catedral, e então chegue a ela. Por fim, a Île St-Louis.
Crypte Archéologique
Está sob o parvis (praça principal) da Notre-Dame e foi inaugurada há alguns anos como museu arqueológico da cidade. São 120 metros subterrâneos, com edificações do período romano (século III a.C!) e restos de uma das primeiras catedrais de Paris. Enfim, o verdadeiro coração da cidade.
Hôtel Dieu
Perto da Crypte, é o hospital que atende o centro da cidade, e foi fundado no ano 651, e reconstruído simultaneamente às obras da Notre-Dame. Já foi o maior hospital da Europa.
Em 1634, São Vicente de Paula instala, no hospital, as Damas de Caridade.
Notre-Dame
Esta igreja começou a ser construída no século XII, com o objetivo de representar a importância da França no cenário mundial, e levou quase 200 anos para ser concluída! É uma obra-prima da arquitetura gótica.
Na Guerra* dos Cem Anos, quando parte da França foi tomada pelos ingleses, o rei inglês foi coroado dentro da catedral, em 1430.
Durante a Revolução* Francesa, foi tomada, pilhada e profanada, sendo rebatizada de “Templo da Razão”. Os primeiros sinos, que eram de bronze, em 1791 foram transformados em canhões. (Entretanto, na batalha de Sébastopole, em 1856, dos canhões conquistados dos inimigos foram feito sinos.)
Também foi aqui que, em 1804, Napoleão* coroou a si mesmo Imperador da França (quando o esperado seria que quem colocasse a coroa em sua cabeça fosse o Papa), em ua cerimônia pomposa.
A Catedral inspirou Victor* Hugo a escrever “Notre-Dame de Paris”, em que narra a paixão do sineiro corcunda Quasímodo por uma cigana. O sucesso do livro incitou a população a solicitar a restauração da Catedral.
Note as gárgulas (“chimères”, quimeras – originalmente, monstros da mitologia grega com cabeça de leão, corpo de cabra e rabo de dragão; o termo acabou sendo, depois, usado para toda espécie de monstros híbridos), que estão na parte superior da fachada principal. São construídas com o objetivo de “afastar os demônios”.
Pode-se também subir os degraus das torres, encontrando uma das mais interessantes vistas da cidade. A imponência da Catedral é dada por estas torres, que têm 60 metros de altura (a “flecha” principal da igreja tem 90 metros). De frente à igreja, olhando para cima, com o movimento das nuvens você pode ter a sensação de que a construção “avança” incansavelmente. Lembremos que, quando foi construída, era ainda mais majestosa, pois as construções ao seu redor eram baixas.
Procure folhetos que indiquem os horários dos cantos gregorianos (geralmente, são às 10 da manhã). A acústica destas igrejas antigas é fantástica. Elas geralmente também possuem órgãos enormes – uma experiência fascinante é quando você está dentro da igreja e começam a tocá-lo.
Para que se tenha uma idéia da importância da Catedral na história da cidade, todas as estradas que partem de Paris têm esta igreja como marco zero da sua quilometragem. Realmente, quando foi construída, as edificações em sua volta eram todas baixas, e a Catedral impunha-se sobre a cidade.
Foi um bispo dela, Eudes de Sully, que, em 1196, juntu à Ave-Maria o trecho “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores”.
Uma das coisas mais inacreditáveis e fantásticas desta catedral quase não é dita nos guias: entrando-se nela, à sua direita você tem acesso ao “Tesouro da Notre-Dame”: lá há, guardados em cubas douradas, estão o que dizem ser restos da cruz e da coroa de Cristo! Foram comprados, por um valor altíssimo, do imperador de Constantinopla. Dizem também que há, neste vestígios, impregnação de gotas do sangue d`Ele! (Com as modernas técnicas de DNA e clonagem, em breve será possível, portanto, fazermos com que Ele renasça logo, sem termos que ficar aguardando eternamente o seu retorno...) A Coroa é exposta na Sexta Santa.
A maioria das igrejas conta, em suas imagens e vitrais, várias histórias bíblicas. A Notre-Dame concentra-se na história de Cristo que, para os cristãos, é “o rosto de Deus”. Portanto, não há representações de Deus na Catedral.
(Na parte à esquerda da fachada principal, é possível ver um apóstolo que parece bastante entediado...)
As colunas, dentro da igreja, “são como árvores frondosas”, “uma floresta” – local, na Idade Média, onde se buscava “o reencontro com o Sagrado”.
No centro da fachada principal estão, em estátua, a Virgem (“Notre-Dame” = “Nossa Dama, Nossa Senhora”) e seu Filho. Na Idade Média, aos poucos os duelos por “fêmeas” foram sendo substituídos por disputas poéticas. Maria era chamada de “Nossa Dama” por estar acima de todas as outras mulheres, e ser “de todos”. Logo na entrada da igreja encontramos, em um vitral, a Rose de Pierre, porque às mulheres já se ofereciam rosas.
Notre-Dame possuía muitos vitrais, mas um clérigo, achando-a muito escura, trocou-os por janelas brancas.
Há uma representação curiosa, um pouco à esquerda da entrada principal: um homem, decapitado, segurando sua própria cabeça. É Saint Denis. Nos primeiros séculos da cidade, haviam cultos a deuses romanos e celtas. A comunidade cristã de Lyon enviou um bispo, Denis, à cidade, para tentar acabar com isto. Ao chegar a Paris, foi decapitado. Pois bem, conta-se que Denis saiu, segurando sua cabeça e andando, até fora da cidade, onde então morreu! (Tudo é possível àquele que crê...)
Foto saint denis
O Papa João Paulo II, em uma visita à Catedral, em 1980, afirmou: “L`homme ne peut pas oublier qu`il est lui-meme um Temple, um Temple où habite l`Esprit-Saint.” (“O homem não pode esquecer que ele é ele mesmo um Templo, um Templo onde mora o Espírito Santo.”).
A Catedral recebe cerca de 12 milhões de turistas por ano. Isto significa uma média de mais de 30 mil pessoas por dia!
Uma dica: se quiser mesmo ver os detalhes de vitrais, estátuas etc., leve um binóculo. Sem isto, impossível.
(Entrada franca na parte principal da Igreja. Entrada paga nas torres e no “Tesouro”.)
Île St-Louis
A ilha em si não tem nenhuma grande atração turística, ela é a atração, por ser um local muito interessante para a flânerie. Possui alguns restaurantes de luxo e lojas interessantes. Boa parte de suas edificações data do século XVII.
A igreja St-Louis-en-L`Ile ficou pronta em 1726, e é uma mostra do estilo barroco. Esta “unida oficialmente” à catedral de Cartago (Tunísia), onde se encontra o corpo de São Luís.
Atenção: quando pensamos em ilha gerlamente temos uma idéia de algo um pouco maior que esta ilhota. Andando por Paris, você logo se acostumará a atravessar, sobre uma ponte qualquer, o Rio Sena. Pode ser que atravesse alguma destas ilhas no meio do Sena e nem perceba, então, que passou por uma. Aconteceu comigo...
IDÉIA C
A MONALISA – Renascimento (1ére arrondissement)
Leonardo da Vinci* nasceu na Itália em 1452 e faleceu na França, em Amboise, em 1519, país para onde se mudou a convite do rei, a quem serviu. Acredita-se que pintou a Monalisa entre 1506 e 1509, dentro do período histórico conhecido como Renascimento*, a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
A Monalisa talvez seja não apenas o quadro mais famoso de da Vinci, talvez não seja apenas o mais famoso do Renascimento, nem o mais famoso do Louvre, mas deve ser o quadro mais conhecido do mundo.
Não apenas pela importância do período histórico que foi produzido, nem apenas pelas qualidades de da Vinci (conhecedor de anatomia, inventor, músico, pensador etc.), mas também pelas qualidades da própria obra: até hoje há várias discussões e hipóteses sobre o quadro. Por exemplo: não se sabe a identidade da pessoa que serviu de modelo (há quem questione mesmo se a figura é homem ou mulher) e há uma grande discussão sobre o significado do sorriso enigmático.
O quadro já foi inspiração para diversas caricaturas e releituras. Deve ser uma das tarefas mais difíceis do mundo, portanto, encontrar alguém que nunca tenha visto a imagem deste quadro.
Sua fama atualmente cresceu com o sucesso do romance “O Código da Vinci”, de Dan Brown.
O quadro foi pintado com a técnica sfumato (criada por da Vinci) que é o sombreado sutil. Mede apenas 77 x 53 cm.
Se o Louvre não tivesse as milhares de outras obras que possui, se tivesse só a Monalisa, já justificaria a visita. (O problema é que todas as pessoas sabem disto, por isto há um aglomerado de pessoas em frente à obra.)
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E então você sai do Louvre. Você está no 1o arrondissement. Bem no coração da cidade. Bem pertinho de você está a Notre-Dame – deixe isto para outro dia, com calma, é outra visita que merece tempo. Aliás, boa parte dos pontos turísticos está tão perto de você que é difícil resistir. Mas o 1ére tem muitas outras coisas bastante interessantes para se fazer.
IDÉIA D
O LOUVRE (e a GUILHOTINA – Rev. Francesa) - voltando ao 1o arrondissement
Naquela nossa primeira visita pelo 1ére, de atração turística vimos mesmo só a Monalisa. É imperioso voltar à região, que possui inúmeros outros locais de interesse turístico.
Sendo que a maior continua sendo o conteúdo do Museu do Louvre.
Mas aproveitamos a proximidade da guilhotina (5éme e 6éme) para falarmos um pouco da Revolução Francesa.
O Louvre
A princípio, no fim do século XII, a edificação foi construída para ser uma fortaleza, visando proteger a cidade de invasões. Por volta de 1360, passou a ser residência real.
Vários governantes seguintes foram ampliando o local, que foi inaugurado como museu somente no final do século XVIII. Mas sua importância só começou a crescer com as aquisições feitas por Napoleão, no século seguinte.
Visto de cima, percebe-se que a planta do edifício é assimétrica. E, apesar de alto e imponente, sua fachada não é especialmente criativa, e é uma mistura de várias épocas. Ou seja, não é um museu onde a própria estrutura arquitetônica seja uma obra de arte como são os museus construídos hoje em dia (arte, às vezes, de gosto duvidoso; um exemplo de museu feito para ser arte é o Pompidou, a poucos quarteirões do Louvre, do qual falaremos mais adiante). Porém, há alguns anos, a construção da pirâmide de vidro, no pátio do museu, tentou convertê-lo a esta tendência moderna, mas não sem gerar controvérsias, pela estranheza da mistura do moderno ao clássico.
Há alguns anos foi construído um grande centro comercial (Carroussel du Louvre) 17 metros abaixo do solo, sob a construção de outra pirâmide, invertida; centro este ancorado por uma enorme loja da Virgin (de CD`s, DVD`s, livros e aparelhos eletrônicos).
O Museu recebe mais de 5 milhões de visitas por ano (média de mais de 13000 pessoas por dia).
Seu acervo abrange até o ano de 1848 (as obras mais importantes que se seguem a esta data estão no Musée d`Orsay e no Pompidou). Entre as pinturas, além da Monalisa há, entre os mais conhecidos, Rembrandt* (século XVII), mas também Van* Eyck (XV), Bosch* (XV), Giotto* (XV), Dürer* (XV), Fra* Angélico (XV), Arcimboldo (XVI)*, Caravaggio (XVI)* e Watteau* (XVII).
(Se deparar-se com um quadro que mostra um homem sem cabeça, não é Saint-Denis. É “A cabeça de Golias”, do italiano Bartolomeu Manfredi).
O Louvre responde, portanto, pelos períodos mais clássicos da arte. São quadros, em geral, grandes, representando figuras humanas ou religiosas, ou grandes paisagens.
O custo de manutenção do Museu é bastante elevado (cerca de 100 milhões de dólares por ano), e não chega nem de longe a ser coberto por suas receitas (pouco mais de 20 milhões ao ano). Sendo assim, lembre-se, ao visitá-lo, de agradecer a cada francês, que paga, através dos impostos, cerca de 1,5 dólar por ano para mantê-lo em funcionamento.
A escultura mais famosa do Museu é uma das mais conhecidas no mundo (concorre com a “Pietá” e o “David”, ambas de Michelangelo, que estão na Itália, e com “O pensador” e “O beijo”, de Rodin, que estão na França – ver adiante): é a Vênus de Milo, que tem este nome por ter sido encontrada na ilha de Milo, em 1820. Acredita-se que tenha sido feita aproximadamente 200 anos antes de Cristo. Possui cerca de 2 metros de altura.
A “Vitória de Samotrácia”, uma mulher alada, com mais de 3 metros de altura, também foi encontrada por volta desta época e também data da época da Vênus de Milo. As duas esculturas estão no Pavilhão Sully.
Impressionam também: o bloco de basalto babilônico com o Código de Hamurabi (1700 antes de Cristo!); a reconstituição do palácio de Khorsabad (do rei assírio Sargão II no século VII aC); o majestoso túmulo de Philippe Pot, antigo governador da Borgonha (fim do século XV); e a sala de jantar e os aposentos de Napoleão* III.
Algo diferente é visitar os fossos medievais da fortaleza, na parte mais antiga do Museu.
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Mas existe, neste arrondissement, pelo menos uma dezena de pontos interessantes. Sugerimos o seguinte trajeto: ao sair do museu, conheça em seu pátio interno o Arc de Triomphe du Carrousel. Depois saia definitivamente do museu rumo aos cais. Atravesse a Pont Neuf rumo à Île de la Cité. Chegue à Conciergerie, pegue o boulevard du Palais e passe pela igreja Saint-Chapelle e pelo Palais de Justice. Você está bem perto da Notre-Dame, mas já combinamos que uma visita tão importante fica para outro dia. Saia da ilha por uma ponte diferente da que entrou (para ver mais coisas) e suba até o “Les Halles”. Pegando a direção oeste, você passará pela igreja St-Eustache¸ pelo Palais Royal, pela St-Roch e chegará na Place Vendôme. Desça e chegará, ao Jardin des Tuileries, à frente do Louvre, enfim. Ufa, o 1ére foi completado...
Arc de Triomphe du Carrousel
Construído em 1805 para celebrar vitórias de Napoleão*.
Já estiveram sobre o arco cavalos de bronze trazidos da Basílica de San Marco (Veneza, Itália), que lá estavam retirados do hipódromo de Constantinopla (atual Istambul, Turquia). (Boa parte das obras é saqueada, em guerras.)
Pont Neuf
Ironicamente, significa “Ponte Nova”, mas é a mais antiga das pontes que existem hoje em Paris, tendo sido construída no início do século XVII.
Conciergerie
Fazia parte do Palais de Justice (era a residência do zelador – “concierge” – dos guardas) e serviu de prisão por séculos, até 1914. Na Revolução Francesa, entre várias outras pessoas, esteve presa lá a rainha Maria Antonieta*, até ser executada, em 1973.
O edifício foi reformado no século XX, mas mantém a sala de tortura, do século XI, e uma reconstituição da cela de Maria Antonieta.
Saint-Chapelle
Foi terminada no século XIII para abrigar o que se achava ser a coroa de espinhos de Cristo e fragmentos da Cruz (que hoje estão no Tesouro da Notre-Dame). Para os devotos da Idade Média, a igreja era uma “porta para o Céu”.
São duas capelas; a superior era reservada para a família real.
Possui 15 imensos vitrais (de 15 metros de altura), que retratam mais de 1000 cenas bíblicas. O painel central, ao fundo, traz a Paixão de Cristo. Há também uma enorme rosácea sobre o portal principal, que retrata o Apocalipse.
Na Revolução* Francesa, virou depósito de farinha.
Tem concertos de música clássica às tardes.
(A entrada é de difícil acesso - sinceramente, procurei sua entrada por duas vezes e não achei!)
Palais de Justice
Os atuais Tribunais franceses estão aqui.
Foi construído na época dos romanos, para residência do governador. No século XIV é que o poder real foi transferido para o bairro Marais.
Forum des Halles
Conhecido também como “Les Halles”. Foi construído em 1979. Tem 2 andares subterrâneos de lojas. O Pavillons des Arts é um centro de arte contemporânea.
St-Eustache
Igreja gótica, construída entre 1532 e 1637. Tem decoração renascentista.
Recitais de órgão aos domingos (às 17h30).
(Entrada franca.)
Palais Royal
Construído no início do século XVII. No século XVIII, com os duques de Orléans, passou a ser lugar de jogatina e encontros libertinos.
Neste local foi tocado o clarim que colocou em marcha a multidão até o ataque à Bastilha, em 14 de julho de 1789, na Revolução Francesa.
No Palais hoje funcionam o Ministério da Cultura e o Conselho de Estado, daí não ser aberto à visitação pública.
A rua da parte posterior do Palácio já teve como moradores Cocteau* e Colette*. Hoje é ocupada por lojas de luxo.
À oeste está a Comédie Française, que tinha em cartaz as peças de Molière*, financiadas pelo Estado.
St-Roch
Igreja grande, desenhada por um dos arquitetos do Louvre. Construída no século XVII. O túmulo do filósofo Diderot* se encontra na Igreja.
(Entrada franca.)
Place Vendôme
Foi construída no século XVII. Teve como um dos “vizinhos” o músico clássico Chopin*, no número 12.
Jardin des Tuileries
Desenhado no século XVII, pertencia ao Palais des Tuileries (destruído na Comuna* de Paris).
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Não perca sua cabeça por causa de uma guilhotina...
O período conhecido como Terror é um dos mais fantásticos na História não apenas francesa, mas mundial. Contaremos esta históra aqui...
No século XVIII, a França encontrava-se mergulhada em ideais liberais e iluministas. A burguesia queria o poder. O povo queria viver melhor. Inicia-se uma revolução... A prisão da Bastilha é tomada em 14 de julho de 1789. Na Assembléia, iniciam-se as disputas políticas entre burgueses e o povo. O rei apóia a invasão do seu próprio país, a fim de que a ordem fosse restaurada. Os jacobinos (representantes políticos do povo) dão armas à população, e aumentam seu poder, sob a liderança de Robespierre*. É neste contexto que aparece a guilhotina...
A guilhotina não surgiu na França. Já havia sido usada dois séculos antes, na Itália, e mais antes ainda na Irlanda. Em 1789, o doutor “humanista” Joseph Guillotin propôs que fosse utilizada para todos os condenados à morte (afinal, um dos lemas da revolução era “igualdade”...), pois, segundo ele, era um método mais certo, mais rápido e “menos bárbaro”, pois não seria torturante e seria indolor - segundo ele, sua rápida queda provocaria “apenas uma viva impressão de frescor na nuca” (deve ter testado, por certo!). Seu uso foi aprovado, e em abril de 1792 foi inaugurada contra um ladrão.
O país estava sendo controlado, neste momento, pela Convenção Nacional, que reunia jacobinos e os burgueses girondinos. Em agosto, ocorreu a primeira execução política.
Nos dois anos seguintes, cerca de 2600 parisienses perderam suas cabeças na máquina (chamada de “Viúva Negra” pelo povo), uma média de 3 a 4 vítimas por dia. (Em todo o país, foram cerca de 16 mil- vale dizer que estes números dizem respeito apenas à guilhotina - de diversas formas as pessoas foram assassinadas no período.)
Uma execução, contudo, marcou a política mundial: a do próprio rei, Luís* XVI. Acusado de traição à Pátria, ele havia tentado fugir do país, mas foi capturado. Seu julgamento teve o resultado de 361 votos a favor de sua morte, e 360 contra! O seu primo, duque de Orléans, votou a favor de sua decapitação (no filme “A Inglesa e o Duque” - “L’Anglaise et Le Duc”, França, 2001 - passa-se a idéia de que o duque foi “obrigado”, por razões políticas, a votar assim). O rei foi executado em janeiro de 1793.
Os monarcas vizinhos passaram a temer por suas vidas. Não existia mais, definitivamente, a idéia de que o rei era um enviado divino.
A rainha Maria Antonieta (1755 – 1793) (desde os 14 anos esposa de Luís XVI, ainda príncipe nesta época), também apoiando a invasão do país pelas forças estrangeiras, acabou sendo guilhotinada no mesmo ano. Antes, como tantos outros, estava presa na Conciergerie. Seu comportamento sempre foi considerado extravagante, e foi um dos estopins da Revolução a sua famosa frase dirigida aos pobres, quando ainda reinava: “Se não têm pão, que comam brioches!”.
Neste ano os jacobinos tomaram o poder dentro da própria Convenção Nacional. Foi o período mais ativo da guilhotina, a famosa época do “Terror”. Em menos de 50 dias foram 1376 execuções em Paris, quase 30 por dia. Dizem que Robespierre não “incentivava” as decapitações, porém deixava ocorrer, já que eram os “inimigos da Revolução” estavam sendo presos, “julgados” e assassinados – o assassinato do líder popular Marat, em sua banheira, ajudou os jacobinos a justificarem o Terror como medida de “defesa”.
O destino é recheado de ironias: o próprio rei foi pego nesta trama: quando da discussão de sua construção, ele opinou que a guilhotina deveria ter uma lâmina triangular, para melhor cortar. Já o primo do rei que votou por sua execução foi decapitado um ano após a morte do monarca-mor. Dois aliados de Robespierre, Danton (mais moderado) e Hébert (a favor de maior radicalização do Terror), acabaram parando na guilhotina (brigas internas foram a causa). E, finalmente, em julho de 1794, com as ameaças constantes de invasões estrangeiras e a perda da popularidade por causa da violência, Robespierre perde o poder na Convenção. No dia seguinte foi guilhotinado...
O Terror não acabou imediatamente, mas foi arrefecendo aos poucos.
A guilhotina
As execuções eram um espetáculo. Primeiramente, era feita uma raspagem na nuca, “para que não dificultasse a passagem da lâmina”. O preso era conduzido lentamente em uma carroça. Logo que surgiu, o povo não aprovou muito, porque matava muito rapidamente, ao contrário de enforcamentos etc. Porém, quando os poderosos começaram a ser decapitados, a multidão passou a se acotovelavar em busca dos melhores locais para ver o espetáculo. A execução de Luís XVI, mesmo, teve que ser transferida para a Place de la Révolution (hoje, Place de la Concorde; antes da Revolução, Place Louis XV), para que comportasse o público sedento de sangue.
Algumas pessoas alugavam as sacadas de suas casas para os espectadores. Os revolucionários tinham uma “prece”: “Repleta teu cesto divino com a cabeça de tiranos... Santa Guilhotina, protetora dos patriotas, Rogai por nós. Santa Guilhotina, calafrio dos aristocratas, Protegei-nos!” Os condenados tinham as mãos amarradas e a cabeça imobilizada. Mas se a vítima era impopular, o carrasco erguia sua cabeça pelos cabelos, para que a população o insultasse. Na primeira fila do cadafalso ficavam as tricoteuses, velhas que ficavam tricotando e injuriando os condenados enquanto eram guilhotinados...
Particularmente, acho a história que se passou em torno da guilhotina extraordinária. Não por glorificar a violência, mas por mostrar vários aspectos extremados: a que ponto pode chegar a revolta de um povo, a que ponto podem chegar a barbárie, a que ponto pode chegar o medo (denunciava-se para não ser denunciado).
Já passamos pela Conciergerie (1ére), e passaremos também pela Place de la Concorde (8éme) e pela Place de la Bastille (4éme), atrações todas que têm ligação com a Revolução*... mas, digamos a verdade: o que poderia representar melhor a Revolução que uma guilhotina?!
Procurei, então, nos guias indicações de onde estariam estas guilhotinas hoje. Surpreendentemente, não falam isto! Como se um dos mais importantes instrumentos da história mundial não tivesse valor “turístico”!
Vasculhei mais. As informações que consegui encontrar foram as seguintes: existiriam duas guilhotinas ainda. A pena de morte foi abolida na França em 1981, e já há alguns anos não vinha mesmo mais sendo aplicada. Sendo assim, nenhum museu quis ou pôde recebê-las, por causa de protestos. As duas foram levadas a um forte.
Que forte?! Continuamos a pesquisa.
No Musée Carnavalet há duas versões reduzidas, fabricadas por prisioneiros franceses na Inglaterra. Mas que guilhotina é esta? O nome é usado hoje em dia para máquinas que cortam papel, por exemplo. Além do que, não queria versões reduzidas, réplicas...
Achei uma indicação que no “Musée de la Justice et des Châtiments” (Museu da Justiça e dos Castigos), em Fontaine-de-Vaucluse, perto de Avignon, haveria uma.
O livro “Paris insólita e misteriosa” (v. Bibliografia) indica, em um pequeno trecho, que no “Beco de Rohan”, ao fim da “rue du Jardinet”, no 6éme, no número 8, Marat instalou uma tipografia e que, tchã-rã, no número 9, “experimente a empoeirada guilhotina” (experimentar?!). Mas nada mais diz: ou seja, será a visita aberta ao público? Parece que sim. Teríamos que confirmar isto lá.
E finalmente, também em Paris, vocês não (?) vão acreditar onde acabei encontrando a indicação de uma: em um bar, o Caveau des Oubliettes (52, rue Galande, 75005 É 01 43 29 37 11). O bar, parecia, já foi uma prisão. Esta guilhotina foi usada na “Guerra de Vendée” (1793 – 1796), no oeste da França, na luta entre os realistas e os revolucionários (depois fui descobrir que no site oficial de turismo da França, sob a rúbrica “Cabarets”, aparecia o seguinte endereço, entre outros: ”CAVEAU DES OUBLIETTES/GUILLOTINE”). Esta, enfim, parecia mais fácil de ser vista!
Ufa! Viajei, então, com a “missão” de procurar estas duas.
Já em Paris, primeiramente fui ao tal “beco”.
Ele fica atrás do Café la Procope, que, como dissemos, era freqüentado pelos pensadores iluministas (Voltaire etc.). Na verdade, é um conjunto de ruazinhas, muito calmas (não circulam carros e quase nem pesssoas), circundado por ruas maiores: o bv. Saint Germain, a rue St-André des Arts, a rue de l`Eperon e a rue Mazarine. É pertinho da Île de la Cité, ao sul desta, no 6éme.
Pois bem, fui ao que parecia ser o endereço indicado. Subi as escadas, dei com uma porta de vidro, duas pessoas conversando lá dentro. Bati, não vieram nem atender. (Provavelmente, deveriam estar de saco cheio disto.) Procurei em outra esquina, deste mesmo conjunto de becos, na esperança, em um bar (Pub Saint-Germain) fechado “para reformas”, mas com cara de que não abrirá nunca mais. Nada.
Perguntei a várias pessoas ali por perto. Ninguém sabia de guilhotina alguma.
Porém, nestas andanças e conversas, descobri algumas coisinhas.
No número 8 do cour du commerce Saint-André (tem este nome porque os comerciantes se instalavam fora das muralhas; Saint-André des Arts era o patrono dos artistas), funcionava a tipografia onde Marat imprimia “L`ami du peuple”, uma revista satírica, que publicou também a Declaração dos Direitos do Homem. No local, hoje funciona a Maison de la Catalogne (Catalunha, Espanha). Dentro, há um pedaço da muralha (e de uma torre) de Felipe* Augusto (o mesmo da muralha ao ar livre no 4éme; foi ele também que iniciou a construção do Louvre, que era para ser uma fortaleza).
No número 9, morava o doutor Guillhotin, que foi quem encomendou a fabricação da guilhotina, a um alemão.
Também encontramos, em um pátio destas ruelas, a pas-de-mule citada no “Paris insólita e mistériosa”, uma peça em ferro que era “utilizada pelas damas, abades e idosos para içar-se em sua montaria”. É a única que restou em Paris.
E a outra indicação de uma guilhotina?
Frustrado pelo primeiro fracasso, comecei a duvidar também da segunda. Uma noite, andando pelo 5éme, passo em frente a um estabelecimento chamado Caveau des oubliettes. Dou mais alguns passos e só então o nome cai como uma ficha em minha mente. “Ei, é o bar da guilhotina”! Temendo a decepção e, por outro lado, com uma certa excitação, resolvo entrar. E o que encontro lá?
Uma guilhotina!
Sim, é possível encontrar uma guilhotina em Paris! E muito facilmente. E, o que é melhor, dentro de um pub, onde, no subsolo, rolava um jazz, feito ao vivo. Perfeito!
Tirei fotos lá, conversei com o dono do bar. Que acabou me dando uns cartões postais com fotos da guilhotina e de quando o local era uma espécie de museu.
Admirando a guilhotina, alguém na mesa ao lado diz para eu colocar a cabeça na mesma, para tirar fotos. Quando coloco, ele vem e me dá uns tapas na bunda. Sem noção a situação...
Enfim, um programa que considero imperdível!
fotos
Pelo fato do 5o e 6o arrondissements estarem em contato direto com o 1o, coloquei a guilhotina neste capítulo. Mais adiante volto a falar destes arrondissements.
IDÉIA E
ARCO DO TRIUNFO E CHAMPS-ELYSÉES (8éme): a era napoleônica
Napoleão* Bonaparte esteve no poder de 1799 a 1815. Seu sobrinho Napoleão* III de 1848 a 1870. Neste período, o primeiro alavancou o Louvre (1ére), fez o arco no pátio do Museu e iniciou a construção do Arco do Triunfo. O segundo “refez” Paris, com o trabalho de Haussmann (1809 – 1991): Napoleão III o designou prefeito do Sena em 1852. Por 17 anos, ele trabalhou na modernização urbana da cidade. Demoliu vielas, criou avenidas largas (o que não passou sem críticas, à época, de destruição da “alma” da cidade) – ele foi o responsável pelo formato atual da Place d`Etoile (“estrela”), onde está o Arco do Triunfo, com 12 avenidas radiais partindo dela (estas avenidas recebem o nome de batalhas e de personagens ligados à história militar francesa; os doze prédios no “canto” destas avenidas, visíveis quando se está ao Arco, também receberam um projeto especial de arquitetura). O barão de Haussmann também reformou o sistema de esgotos, tornando-o um dos mais eficientes do mundo (hoje há um museu para visitá-los).
Arc de Triomphe (de l`Étoile)
Napoleão prometeu a seus soldados em guerra que retornariam para casa “sob arcos triunfais”. A pedra fundamental do arco foi lançada em 1806. Porém, quando sua construção terminou, em 1836, ele já estava fora do poder.
Em 1920 foi colocado sob o arco o corpo do “Soldado Desconhecido”, uma homenagem aos mortos da I Guerra Mundial. Seu corpo foi levado ao Arco no mesmo dia em que o coração de um chefe republicano, Gambetta (que havia comandado a luta contra os prussianos, em 1871), foi levado ao Panthéon. Todas às noites (às 18h30, exatamente) é acesa a “chama eterna” (“flammme du souvenir”).
O Arco reflete o gosto de Napoleão pela Antiguidade romana, pois haviam muitos arcos em cidades romanas antigas. O Arco, devido às confusões da época de sua construção, estava sempre sob mira de questioamentos. Possui 50 metros de altura, e sua estrutura pesa 100 mil toneladas, e sua fundação desce 8 metros sob o solo, necessária para estabilizá-lo. Nas suas fachadas estão gravados nomes de batalhas (vitoriosas ou não) e de militares (os nomes sublinhados são de pessoas mortas em guerra).
Muitos eventos importantes passaram-se por aqui, posteriormente, como ss desfiles das vitórias da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.
Algo pode ser questionado: qual triunfo, afinal? Napoleão idealizou sua construção, mas acabou derrotado em seus delírios megalomaníacos. Seu sobrinho também tombou. Na Primeira Guerra Mundial, A França não ganhou nada, ao final – apenas deixou de perder. Na Segunda Guerra, o país foi dominado pelos alemães. No final, também apenas recuperou o que tinha antes do início. E, nestes dois últimos casos, por ação dos Estados Unidos. Quais os verdadeiros triunfos, portanto?
Cada país precisa de suas ilusões e dos seus mártires...
(Visita paga para subir-se nele, e também ao Museu do Arco.)
Avenue des Champs-Elysées
Seu nome remete ao Paraíso dos heróis da mitologia grega (Campos Elísios).
Criada por volta de 1660, tem 3 quilômetros, partindo da Place d`Etoile.
Seus jardins foram projetados em 1838. Ao fim das duas guerras mundiais, foi cenário das comemorações, assim como o é hoje de alguns outros eventos importantes, como o “14 de Julho”.
Há uma linha imaginária que liga alguns dos principais monumentos de Paris.
Ela pode ser traçada do Hotel de Ville (a Prefeitura de Paris), localizado próximo à Île de la cité, até La Defense, um conjunto arquitetônico (localizado no banlieu) idealizado por Mediterrand, passando, neste trajeto, pelo Louvre, pela pirâmide do pátio deste museu, pelo pequeno arco também deste museu, pelo Jardin des Tuilleries, pela Place de la Concorde, pela Champs-Elisées e pelo Arco do Triunfo.
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Outras atrações do arrondissemnt que evocam a “glória francesa” são os momunemtos feitos para a Exposição Universal de 1900: o Grand Palais e o Petit Palais e a ponte Alexandre III.
Grand Palais
Este e o Petit Palais foram criados, em 1900, como glorificação à Terceira República, para a Exposição* Universal. Com sua decoração Art* Nouveau, é recheado de estátuas de bronze.
É usado, hoje, para exposições temporárias.
Petit Palais
Atualmente, é sede do Musée des Beaux-Arts. Contém obras de Ingres*, Delacroix* e Coubert*, entre outros.
Pont Alexandre III
Construída entre 1896 e 1900, celebra a aliança franco-russa de 1892 e a Exposição Universal* de 1900.
Decorada em estilo Art Nouveau, e também considerada marco da arquitetura, pois é constituída de apenas um arco.
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O arrondissement possui ainda outras atrações.
Place de la Concorde
Era um pântano até ser construída a Praça Luís XV, em 1775, feita para abrigar a estátua eqüestre do rei. O monumento acabou sendo substituído pela guilhotina, e o local foi renomeado Place de la Révolution. Em 1794, como fim do “Terror”, recebeu o nome atual.
O obelisco de Luxor foi doado pelo vice-rei do Egito.
La Madeleine
A construção se iniciou em 1764, mas foi adotada como igreja apenas em 1845.
Galerie Nationale du Jeu de Paume
Quadras de tênis (“jogo de palma”) feitas por Napoleão* III e depois transformadas em um museu da arte impressionista*. Mas esta coleção foi para o Musée d`Orsay, e hoje a Galerie exibe arte contemporânea.
Musée de l`Orangerie
As famosas “Ninféias”, de Monet*, estão aqui. Foram pintadas entre 1899 e 1921. Contém também muitas telas de Renoir* e Cézzane*, e algumas do começo de Picasso*, além de Sisley*, Modigliani* e Utrillo*.
Porém, estes artista e vários outros podem ser vistos no Orsay. Utrillo, por sinal, possui um museu próprio.
Palais de l`Elysée
Desde 1873, a residência oficial do Presidente da República.
(Não é permitida visita pública.)
St-Alexandre-Nevsky
Catedral da igreja ortodoxa russa. Terminada em 1861.
Place du Rio de Janeiro
Uma pequena praça “perdida” no meio do arrondissement. Sem balas perdidas, claro.
Fotos fotos fotos
IDÉIA F
“Esgotando” Paris: a TORRE EIFFEL (e os IMPRESSIONISTAS) – 7éme
Este arrondissement possui muitas atrações. Não falaremos de todas neste capítulo. Agora sugerimos apenas 3 que levarão ao menos dia para serem bem-feitas: a Torre Eiffel, o Museu dos Esgotos e o Musée d`Orsay.
A Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal (E.U.) de 1889.
Com o crescimento das cidades e o desenvolvimento tecnológico, as E.U.s sugiram como modo de glorificar este momento. A primeira E.U. foi “A Grande Exibição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações”, em 1851, em Londres. A cidade de Paris foi sede para a segunda. O grande sucesso incentivou outros países a sediar as E.U. Porém, após as Guerras Mundiais, o homem deixou de acreditar que desenvolvimento tecnológico significaria apenas progresso, e as E.U.s passaram a ter um caráter mais humanista.
O Brasil teve a sua E.U., no Rio de Janeiro, em 1922, Centenário da Independência.
A Torre Eiffel talvez seja, de todos os monumentos já construídos para todas estas exposições, o mais conhecido no mundo.
Tour Eiffel
Construída para a Exposição Universal, a torre celebrava também o centenário da Revolução*. Na época, foi alvo de bastante controvérsias (como tudo o mais...), sendo considerada, por alguns, “horrível”. Era para ser um momunento temporário.
Tem 324 metros de altura. Foram gastas 7000 toneladas em sua estrutura, sendo 50 apenas em tinta. Contudo, em ventos mais fortes, chega a balançar até 12 centímetros.
Até 1931 era a edificação mais elevada do mundo. Porém, o público pode chegar até 276 metros, no terceiro nível. O 1o (57m) e 2o níveis (115m) podem ser subido, além do elevador, pela escada.
O engenheiro Eiffel teve, até a sua morte, um escritório na Torre.
Em 1901, o brasileiro Santos Dumont* contornou a torre com um dirigível.
Em uma ocasião, um alfaiate construíu uma roupa para voar e de lá saltou. Morreu na queda. Já foram registrados quase 400 suicídios na Torre.
A Tour Eiffel é um dos pontos máximos do turismo em Paris. Entretanto, não é, como o Louvre, algo que necessariamente você precise entrar. Pois é admirável de fora, e não de dentro. A vantagem de subir é ter uma visão panorâmica bastante privilegiada de Paris. Além disto, existe um restaurante, no alto.
(Visita paga, se subir.)
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Após a visita à Torre Eiffel, esgotamos Paris, por 2 motivos. O primeiro é que encerramos a idéia básica de visitar, pela ordem em que foram construídos, os principais pontos turísticos da capital.
O que não quer dizer que já vimos tudo, e daí o segundo motivo: agora vamos literalmente “esgotar” Paris: neste arrondissement é possível que entrarmos nos esgotos da cidade!
Les Egouts
Uma das inúmeras realizações de Haussmann*. São 2100 km subterrâneos. Mas as visitas são possíveis apenas em uma pequena parte.
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Chegamos, agora, ao museu que reflete um dos mais importantes movimentos nas artes plásticas, o impressionismo, cuja origem e apogeu se deram na França.
Quando se fala de História da Pintura, é importante lembrarmos que os movimentos não têm datas certas de nascimento e de morte, e que a maioria dos pintores, apesar de priorizar certa forma de pintar, transitou por outros movimentos, o que impede uma classificação rígida.
O Impressionismo
O movimento teve origem na França, por volta de 1860, sendo um rebeldia contra o “romantismo”, movimento em voga havia algumas décadas, e que pregava que a arte deveria transmitir uma intensa emoção e espontaneidade individual. Como todo movimento novo, o Impressionismo contestava e era contestado.
Os pintores impressionistas celebravam a luz natural, e as várias formas como a iluminação poderia alterar a impressão que obtemos das cores. Ao contrário dos realistas, preocupavam-se menos com as formas - por isto os desenhos passam a ser menos detalhistas quanto aos formatos e contornos.
A temática era especialmente paisagens e cenas cotidianas. Em 1841 foi patenteado o tubo flexível de tinta, invenção simples, mas que permitiu que os artistas saíssem de seus ateliês e “conhecessem” os diferentes tons de luz da rua, dos campos, das horas do dia. Os artistas iam ao encontro das paisagens e, para facilitar seus deslocamentos, levavam telas pequenas – daí que muitas obras-primas do período tenham formato reduzido.
O Impressionismo recebeu este nome, a princípio de maneira jocosa, por um jornalista, ao comentar o quadro “Impressão – Levantar do Sol”, de Monet (que está no Musée Marmottan, 16éme).
Entre os nomes de maior destaque, temos: Cézanne, Degas, Manet, Monet, Pissarro, Renoir, Sisley, Toulose-Lautrec. Interessante notar que como não eram exatamente fiéis à realidade, mas sim às suas visões particulares de mundo, cada um dos principais mestres do período tem um estilo próprio, geralmente de fácil reconhecimento. Segue-se abaixo uma micro e biografia deles, em ordem alfabética.
Cézanne (1839 – 1906): para alguns, já é um “’pós-impressionista”. Pintava muitas naturezas-mortas, mas sua “obsessão” era o monte Saint-Victoire, na região de Provence, sul da França.
Concebia a arte como uma ciência, e tentava representar as formas aproximando-as de cilindros, triângulos etc. Em suas pinturas, não existem sutilezas de graduação de tons, que mudam bruscamente.
Em vida, o próprio pintor duvidava de seu talento. Mesmo o escritor Émile Zola*, seu amigo, zombou dele em um livro. Ele persistia, mandando suas obras para o Salão de Paris, sendo recusado todos os anos. Tinha um aspecto rústico, com barba espessa, botas, e seu hábito de comer com as mãos. Aos poucos, foi abandonando seu mundo cotidiano (mulher, filho, amigos), e passava os dias pintando. Apenas na velhice teve reconhecimento. Picasso reconheceu sua influência, e dizia que “Cézanne é o pai de todos nós”.
Degas (1834 – 1917): famoso por suas bailarinas, captando a leveza da dança das jovens, em tons pastéis. Depois passou a pintar mulheres em cenas intimistas. Também era escultor. Apresentou-se em 7 das 8 exposições impressionistas, e era um dos líderes do movimento, apesar de ser, dentre eles, talvez o que mais desse valor às formas.
Manet (1832 – 1883): misturava temas renascentistas com o estilo de pintar do impressionismo. Contrastava luzes intensas com tons fortes de preto. Sua obra “Déjeneur sur l`herbe” (“Almoço no campo”) não foi aceita no Salão Oficial de 1863, o que era algo relativamente normal – o interessante é que causou controvérsias até no “Salão dos Recusados”, promovido por Coubert*, para obras que haviam sido recusadas em salões oficiais.
“Olympia”, aceita no Salão Oficial dois anos depois, mostrando uma cortesã nua provocando com seu olhar o expectador, causou ainda mais revolta.
Monet (1840 – 1926): com Renoir, talvez representem os maiores expoentes do Impressionismo. Porém, sua obra “Impressão – Levantar do Sol” foi mal recebida e acabou por dar origem ao nome do movimento. É famosa sua série Ninféias (que está principalmente no Musée de l`Orangerie, 8éme), pintadas inspirado no lago do jardim de sua casa (os reflexos na água, retratados nas telas, são especialmente bonitos) e a coleção de pinturas sobre a catedral de Rouen, focalizada em diversas luminosidades.
Alcançou o sucesso não apenas pela qualidade de suas obras, mas por se dar muito bem no meio do poder e por saber atender aos gostos do público. Na velhice, sofreu de catarata (precipitada pelo fato de olhar muito para o Sol), o que alterou bastante as suas telas finais. Cézanne disse dele: “Apenas um olho, mas, Deus, que olho!”.
Pissarro (1831 – 1903): o único a ter obras nas 8 exposições impressionistas. Pintava especialmente paisagens, com poucas variações de cores, pastéis, mas quando começou a perder a visão deixou o ar livre e passou a pintar o que enxergava de sua janela, em Paris.
Renoir (1841 – 1919): com Monet, de quem era amigo, forma a dupla mais conhecida do movimento. Pintou muitas cenas parisienses, como bailes (sentado no meio da festa...). Seu quadro “O baile no Moulin de la Galette” talvez seja umas das estampas mais difundidas pelo mundo, e está neste museu.
Após os 50 anos, com reumatismo, não podia andar sem cadeira de rodas, mas continou trabalhando, perfazendo, em vida, mais de 6000 telas!
Sisley (1839 – 1899): este era inglês, mas vivia em Paris. Dedicou-se às paisagens, especialmente estradas, em pinturas de tons acizentados.
Toulouse-Lautrec (1864 – 1901): tem uma das biografias mais interessantes. Pintor das festas, dos cabarés e das prostitutas, ficou famoso também, além das telas, por seus cartazes. No Museu, enormes esboços do artista, em papel comum.
Nasceu aristocrata, mas “fez o possível” para ficar à margem do sistema. Era uma figura estranha: sofria de nanismo, tendo apenas 1,52m e falava trocando o “s” pelo “t”. Bebia muito, vivia nos bordéis (dizem as más-línguas que ele lá vivia por ser a única opção a quem é muito feio). Morreu pobre e com sífilis.
No Musée d`Orsay encontramos uma excelente coletânea do movimento.
Musée d`Orsay
Era, até cerca de 20 anos atrás, uma estação de trens desativada, quando então foi transformada em museu.
Guarda a arte de 1848 a 1914. Os impressionistas estão especialmente no terceiro andar, enquanto o segundo andar tem muitas obras de Art* Nouveau.
Mas o museu possui vários outros artistas importantes, como o escultor Rodin* (“A porta do Inferno”; falaremos do escultor em um capítulo adiante) e os artistas plásticos Ingres*, Delacroix*, Coubert*, Van* Gogh, Seurat* e Gauguin*.
Ingres e Delacroix travaram, a certa altura de suas carreiras, uma disputa estética, entre o (neo-) Classicismo* do primeiro e o Romantismo* do segundo. São pré-impressionistas.
Oubert era um “agitador cultural”. Organizou o “Salão dos Recusados” e pintou “A origem do mundo”, quadro exposto neste museu, que mostra apenas o ventre de uma mulher nua, deitada, com as pernas abertas.
Van Gogh, o famossíssimo pintor (holandês, mas que viveu por muito tempo na França), de vida extremamente isolada e tumultuada (ver “Enciclopédia”), é considerado um pós-impressionista. Seu conhecido quadro “O quarto do artista em Arles” está no museu.
O pós-Impressionismo não chega a configurar um movimento, mas uma época, pois as obras mais representativas não possuem uma tanta semelhança que possam irmaná-las.
Seurat e Gauguin, por exemplo, são representantes distintos deste período. O primeiro buscou uma arte extremamente trabalhada, conhecida como Pontilhismo (pontos minúsculos de tinta na tela, formando uma figura apenas se vistos à distância), e o segundo, “revoltado com a civilização”, mudou-se para o Taiti, onde pintava com cores fortes, emotivas.
Curiosidade: estes dois são citados em uma música de Caetano Veloso (“O estrangeiro”), além do antropólogo francês Levy*-Strauss: “O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara / (...) O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara: pareceu-lhe uma boca banguela / (...) Mas eu não desejo ver o terno negro do velho / Nem os dentes quase não púrpuras da menina / (pense Seurat, pense impressionista / Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda / Mas não pense o surrealista que é outra onda) (...)”
O Museu possui, ainda, umas poucas obras de outros artistas famosos, como Matisse*, Klint* e Munch*. E, para finalizar, muitos outros belos quadros de “ilustres desconhecidos”.
Possui, ainda, um terraço de onde se pode ter uma bela vista da cidade, e onde os fumantes podem relaxar, nos necessários intervalos de um passeio que, para ser completo, fatalmente será prolongado.
IDÉIA G
Um local sem NENHUMA ATRAÇÃO TURÍSTICA: o 11O arrondissement
Já vimos o “indispensável” de Paris. É hora de descansar um pouco. Neste capítulo falamos de um local sem nenhuma atração realmente turística. Nos capítulos seguintes, voltamos às famosas “atrações”.
Abri o “Guia Visual França”, da Folha de São Paulo, e contei: são listados, em Paris, aproximadamente 100 pontos turísticos. Alguns arrondissements são inflacionados: 5 dos 20 arrondissements possuem mais de 10 atrações cada (1o, 5o, 7o, 8o e 16o), e percorrê-los significaria, portanto, passar por mais da metade das principais atrações da cidade.
Alguns são muito pobres, tendo uma ou duas atrações. De um modo geral, a parte leste da cidade é bastante fraca em locais turísticos: o 10o, 12o, 13o, 19o e 20o, somados, têm apenas 8 atrações.
Para quem deseja fugir um pouco das atrações e mergulhar um pouco mais na vida do “francês comum”, é uma boa pedida passear nesta área da cidade. Resistindo, claro, à tentação de abrir o guia para saber quais são estas 7 atrações e ir visitá-las!
Mas um arrondissement, e apenas um, não apresenta nenhuma atração neste guia que citei: o 11º . Que também está mais para a zona leste da cidade.
Lógico que podemos dizer que a cidade de Paris, em si, é uma atração, e se ele está em Paris, ele é uma atração. Concordo. (Já estamos “filosofando” como um francês em um café?). Outro argumento interessante é que ao colocá-lo aqui como atração, justamente por não ter atrações, ele passa imediatamente a ser atração – e a maior de todas, já que ocupa todo um arrondissement! (Sim, já estamos filosofando... Mais um demi, s`il vous plait...) Por outro lado, poderia-se argumentar que Paris não é uma atração per si, mas apenas porque tem tantos monumentos, e que, sem eles, nada seria. Sim, é um ponto de vista válido. Desta forma, um arrondissement sem nenhuma grande atração turística é mesmo o contraponto ideal para um passeio pela Paris não-turística.
Deixando de lado todas as “filosofices”, partamos ao 11o em busca do “parisiense médio” – médio até mesmo porque o arrondissement não está nem no centro nem na periferia. Enfim, o lugar perfeito para o flanar puro...
Se o seu mapa de Paris (eu recomendei que arrumasse um assim que chegasse à cidade!) não indica os limites dos arrondissements, forneço os do 11o: é um quadrangular formado pelos seguintes lados: da Place de Bastille à Place de La Nation; desta praça ao cruzamento (“carrefour”) da rue de Faubourg du Temple com o boulevard de Belleville; deste cruzamento até a Place de la République; e, claro, desta à Place de Bastille. Aí dentro está o 11º. Vamos lá...
O site http://www.paris-on-line.com/fra/turisme/par.htm é um dos poucos que divide a cidade por arrondissements. E dá, a cada um, um título. E dá notas, de 1 a 3 estrelas, em cada arrondissement, para os seguintes itens: flânerie, cultura e compras. Começamos mal: o 11o ganha 1 estrela apenas em flânerie. Quer saber o título que ganhou? Conto mais adiante.
O livro “Paris insólita e misteriosa”, de Rodolphe Trouilleux, fala apenas de pequenos pontos perdidos na cidade, que não aparecem em guias comuns. Segundo o autor, “lugares desconhecidos dos próprios parisienses”, “sinais discretos e frágeis que evocam a Paris de ontem e anteontem”. Uma placa, uma fachada, uma passagem... - e suas pequenas histórias (um livro bastante interessante, sem dúvidas!). Pois bem, este livro tem mais de 150 crônicas sobre estes tênues locais. O 11o arrondissement aparece com 8 locais, destes 150 – ou seja, até que nosso bairro não é tão “capenga” assim para a flânerie – está na média dos outros.
Como não era o meu interesse transcrever este livro de Trouilleux dentro do meu Guia, até mesmo porque há locais que ele indica que não são tão interessantes, a meu ver, a ponto de merecem uma visita, mas apenas uma leitura, abrirei uma exceção aqui para este arrondissement e citarei duas de suas indicações, correlacionadas com a história da guilhotina.
A prisão da Grande-Roquette, no 164 -168 rue de la Roquette, era um local onde ficavam encarcerados os condenados à morte. Foi demolida em 1899, e cinco lajes de granito rememoram a época em que a guilhotina ficava incrustada defronte à prisão. A prisão Petite-Roquette, que era em frente, abrigava mulheres. Foi demolida também, restando um pórtico da velha prisão, na praça Petite-Roquette.
Os vestígios da Pension Belhomme estão no 157 – 161 rue de Charronne. Era uma casa de saúde de “alienados”. Na época da Revolução*, alguns dos mais abastados fizeram-se ali internar, para fugir da guilhotina, como a duquesa de Orléans. Já a duquesa de Choiseul, sem dinheiro, foi mandada embora, e logo foi decapitada.
Mas qual o título que o arrondissement recebe, afinal, no tal site? “Le Quartier Rock`n`Roll”. Por quê? Porque as ruas de Charonne e d`Oberkampf possuem os “bares rock`n`roll” freqüentados por motociclistas.
Havia escrito este capítulo em separado para este arrondissement antes de viajar. Por coincidência, acabei conhecendo-o bem, pois fiquei hospedado, um período de minha estadia, em dois pequenos hotéis aqui localizados (o preço é bom e pode-se ir à pé, com algum esforço, ao centro vivo da cidade; de metrô, tudo é fácil). Aliás, um era um “albergue da juventude”, onde fiquei no mesmo quarto de um americano e um belga, que estava em Paris a trabalho. O belga não falava bem inglês, o americano não falava bem francês (na Bélgica, fala-se francês), e eu não falava bem nem inglês nem francês, mas, como falava um pouquinho dos dois, fiquei na bizarra situação de intérprete entre os dois...
Bom, o fato é que acabei andando muito pela região, e poderia dizer o seguinte: sim, há os tais bares, mas é muito pouco para poder rotular um arrondissement. Com exceção dos arrondissements centrais, cuja vida gira quase que em torno do turismo, os outros arrondissements de Paris têm algumas diferenças entre si, mas são bastante parecidos. Estabelecimentos comerciais, ruas movimentadas, ruas calmas, pequenas praças, gente etc. Nestes arrondissements mais afastados é que é possível ver a vida do parisiense “normal”.
Tanto faz que seja no 11º ou em qualquer outro fora do centro. Uns são um pouco mais bonitos e limpos, outros um pouco mais movimentados, mas por qualquer um deles é possível passear e perder-se, observar fachadas, o movimento, tomar um café ou um chope, comer em seus restaurantes.
É a partir desta saída do pólo turístico que pode-se, realmente, começar a flanar.
Ao contrário dos outros arrondissements, neste publico uma boa relação de endereços supostamente interessantes que havia feito antes de partir. Justamente para compensar a falta de grandes chamativos na região. Ressalvo que não fui a todos estes locais.
Cozinha étnica
* Aux Comptoirs des Indes (50, rue de La Fontaine au Roi M: Goncourt )
* La Porte des Indes (4, rue Rampon M: République )
* Le Souk (1, rue Keller ) Das 14 horas às 2 da manhã. Grande variedade de cuzcuz: 10 saem por 15 a 20 euros.
Outros
* Café de Phares (7, place de la Bastille M: Bastille) Café filosófico aos domingos, às 11 da manhã.
* Café Charbon (109, rue Oberkampf M: Ménilmontant ) Reduto intelectual.
* Le Bar à Soup (33, rue de Charonne M: Bastille) “Bar de sopas”, tradicionais e incomuns.
* Special Comptoir (123, rue Oberkampf M: Parmentier) Sopas ao som de DJs; todos os dias, até às 2 hs.
* The Troc (52, rue Jean-Pierre Timbaud M: Oberkampf) Casa de chás e quadrinhos do mundo todo - inclusive do Brasil, pois o proprietário é o editor da revista brasileira “Chiclete com Banana” na França.
* Marché Couvert Bastille (bv. Richard Lenoir, entre rue Amelot e rue Saint Sabin) Praticamente em todos os arrondissements funciona um “mercado coberto” como este.
Cybercafés
* Zi HackAcademy (7, rue Darboy M: Goncourt) Escola de computação com internet grátis (só para alunos?).
Locais curiosos
* Tribal Act (161, rue Amelot M: Chemin Vert) Body modification – línguas com corte como se fosse cobra, tatuagens-cicatriz, etc.
Boates
* Favela Chic (18, rue du Faubourg du Temple M: République) Restaurante-boate brasileiro; mesas compridas obrigam os clientes desconhecidos a sentarem juntos; os mais animados dançam sobre as mesas; de terça à sábado, até as 2hs.
* Les Furieux (74, rue de la Roquette) Noite gótica aos domingos; entrada franca.
* Wax (15, rue Daval M: Bastille) Boate de eletrônica com decoração anos 70.
Erotismo
* Démonia (10, cité Joly M: Père Lachaise) Loja de artigos sexuais que promove um concurso de palmadas no começo de março e, nos outros meses, exposições de fotos, performances de dominatrix, classificados SM e agenda das festas de fetiche – site : www.demonia.com.
* Galerie Les larmes d`Eros (58, rue Amelot M: Chemin Vert) Arte erótica e fetichista; contém muita coisa antiga; o site já vale uma visita: www.erosconnexion.com.
Clubes
* Keller (14, rue Keller M: Bastille) Darkroom que abre para mulheres a cada 2 meses; shows pesados de sexo – fist, golden shower etc. Para os entendidos.
* Bar-Bar (9, rue Crussol M: Oberkampf) Noites fetichistas; um porão de “tortura”. Todos os dias até as 8 da manhã!
Fiquei em dúvida se citava ou não os bares, brasseries, etc, deste bairro. Fiquei em dúvida mesmo se diria a minha impressão particular sobre ele.
Contudo, acho que o viajante interessado em fazer este programa pode agir da seguinte forma: flanar como quiser e, quando (e se) cansar, consultar minha indicações, em busca de algo mais divertido. Caso tenha encontrado por conta própria algo muito interessante, tanto melhor.
Ficam então, neste capítulo, minhas indicações como um desafio à sua curiosidade: que você não olhe quais são antes de ir ao arrondissement. Consegue resistir? Para facilitar sua resistência, os melhores endereços vêm nas páginas seguinte, que estão lacrada. Abra apenas após ter esgotado o bairro. Quer uma missão, para aumentar a brincadeira? Procurar uma papelaria que venda um daqueles instrumentos de retirar grampos. Assim você não estraga o livro quando for abrir as páginas seguintes!
IDÉIA H
A história de RODIN E CLAUDEL - de novo no 7éme
Voltamos às atrações efetivamente turísticas... Já estivemos no 7éme vendo a Torre e os impressionistas*. Agora voltamos para conhecer uma história extraordinária, a do casal de escultores franceses Auguste Rodin e Camile Claudel.
Depois, as outras atrações do arrondissement.
Rodin (1840 – 1917), escultor francês. Algumas das esculturas mais conhecidas mundialmente são de sua autoria.
Tentou ingressar ao mundo artístico logo cedo, mas foi barrado 3 vezes na Escola de Belas-Artes. Passou a trabalhar como artesão, então, ornamentando pedras. Aos 35, viajou à Itália para conhecer a obra dos mestres do Renascimento*, e ficou bastante inspirado com Michelângelo* e resolveu voltar às artes, iniciando uma carreira de sucesso. Em suas obras, inovou ao abandonar o detalhismo inútil (apesar de que seu primeiro sucesso foi uma obra tão realista que foi acusado de ter moldado sobre um modelo-vivo). Dizia querer mostrar nas suas esculturas o “caráter” de cada coisa ou pessoa representada. Utilizava muito a técnica non finito, que é deixar um resquício intacto do mármore, dando a impressão que as figuras emergem deste.
É autor de duas esculturas famosas, “O Pensador” e “O beijo”. As duas obras são “filhas” de uma obra bem maior, “A Porta do Inferno”, que é inspirada no livro “Divina Comédia”, do poeta italiano Dante (1265 – 1321; o “pensador” é uma representação do próprio Dante), feita para o governo francês (a obra “O beijo” representa os personagens Paolo e Francesca, adúlteros, condenados ao Inferno – por isto, a escultura foi chamada de obscena). Rodin dedicou-se a esta obra até o fim de sua vida, refazendo várias vezes muitas das 200 figuras que a compõe, e dando a algumas “vida própria”.
Da vida particular de Rodin, destaca-se o fato de ter tido por amante, por vários anos, a aluna e escultora Camille Claudel.
Falemos de Camille Claudel (1864 – 1943): o nome “Camille” pode designar um homem ou uma mulher, e ela recebeu o seu por homenagem a um irmão falecido. (Ela teve também um irmão que ficou relativamente conhecido, como poeta, Paul Claudel). De aluna de Rodin, que era 24 anos mais velho que ela (tinham 19 e 43, à época que se conheceram), logo passou a sua amante (ele era casado), permanecendo vários anos nesta situação. Foi rejeitada pela sociedade, por ser mulher, por esculpir nus, por ser amante de Rodin.
Após 15 anos juntos, rompeu com este (pois este não largava a esposa já não se interessava mais tanto em Camille), mas o relacionamento ainda serviu de inspiração para várias de suas obras, sendo comum o tema do abandono, da solidão. Aos 42, teve um colapso nervoso. Destruiu vários de seus trabalhos. Começou a ficar paranóica. Enterrava suas obras, com medo que Rodin as roubasse, ou as destruía logo após criá-las, e foi internada uma semana após a morte de seu pai, que a protegia. No manicômio, comia apenas alimentos que eram cozidos com casca, temendo ser envenenada. Quatro anos depois da crise, morre Rodin. Camille passou os últimos 30 anos de sua vida internada (sem receber uma única visita da mãe e da irmã), sem esculpir então mais nenhuma obra.
Musée Rodin
Contém esculturas de Rodin e Camille Claudel.
Mas também possui algumas telas de artistas famosos como Monet*, Renoir*, Van* Gogh e Munch*.
Outras atrações do 7éme:
Champ-de-Mars
Jardim que vai da Torre Eiffel à École Militaire.
Servia de área de desfile militar; hoje, a área, entre outros usos, é local de celebrações de 14 de Julho, data da Revolução*.
École Militaire
Fundada por Luís XV. Napoleão* foi um de seus primeiros cadetes.
(Visitas apenas após solicitação ao comandante, por escrito.)
Unesco
A sede da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. Possui várias obras de arte moderna, inclusive um mural de Picasso* e cerâmicas de Miró*.
Hôtel des Invalides
Feito às ordens de Luís* XIV, para feridos de guerra pobres. Até hoje residem soldados no local.
Não é permitida visita pública, mas possui alguns museus que podem ser visitados (visita paga), como o Musée de l`Ordre de la Libération, que versa sobre a Resistência, na II Guerra Mundial (ver), e o Musée de l`Armée, um dos mais importantes museus militares do mundo (contém até armas medievais), cuja peculiaridade é Vizier, o cavalo de Napoleão*, empalhado, além de seus chapéu e casaca (“seus” de Napoleão, claro!).
No complexo, está também a St-Louis-des-Invalides (entrada franca), a igreja dos soldados. Possui o órgão do século XVII onde Berlioz* (músico clássico francês) tocou pela primeira vez seu “Réquiem”.
Église du Dôme
Após a construção do Invalides, Luís XIV construiu esta igreja, como símbolo da sua glória. Serviria também como sede de túmulo para os reis - o que praticamente não seria mais possível, após a Revolução*. Mas tem o túmulo de Napoleão*, cujos restos só vieram duas décadas após sua morte, que ocorreu no exílio.
O pênis
(Visita paga.)
Sainte-Clothilde
Igreja neogótica terminada em 1856.
Musée Maillol
Antiga casa do escritor Musset*, hoje abriga a arte de Maillol* (esculturas e pinturas clássicas*), mas também algumas obras de Matisse*, Picasso* e Rodin*.
(Entrada franca.)
Quai Voltaire
No número 27 já morou o filósofo Voltaire*, no 19 o compositor clássico Wagner* e também o escritor Oscar* Wilde. Hoje é reduto do comércio de antiguidades.
IDÉIA I
Modernismo: PICASSO E OUTROS - entrando no 3éme e 6éme; retorno ao 4éme
A “Idéia I” será completada pela “Idéia J” – as duas representam épocas semelhantes, mas foram separadas para permitir uma visita detalhada às duas.
A onda do Impressionismo* (“Idéia F”) passou...
Veio o Fauvismo, de curta duração. Na França seu grande representante foi Matisse. Pode-se dizer que era uma exarcebação do impressionismo, com cores muito mais fortes, puras, contrastantes. As formas eram bastante simplificadas. O nome do movimento também foi conseqüência de uma crítica negativa (como no caso do Impressionismo), que chamou estes novos artistas de “fauves” (feras selvagens).
Matisse* (1869 – 1954) tem uma biografia sem grandes fatos. Conta-se que, apesar da intensidade dos seus quadros, era uma pessoa sentimentalmente reservada. Teve um câncer de duodeno, e depois disso passou a fazer colagens.
A grande agitação nas artes veio um pouco depois, com o Modernismo. Picasso (1881 – 1973) colocou as artes plásticas de pernas para o ar, com o “Cubismo”. As formas passaram a ser quebradas, as cores não tinham o menor fundamento com a realidade. Era espanhol, mas com 19 anos mudou-se para a França, e depois naturalizou-se francês.
O francês (1882 – 1963) Georges Braque* também é considerado um dos pais do cubismo, mas não teve o mesmo sucesso de Picasso, talvez porque não apenas a obra, mas a vida deste fosse mais escandalosa e agitada.
Alguns outros nomes tiveram também destaque no período. O nome “Modernismo” engloba várias tendências do início do século XX: o Surrealismo*, o Dadaísmo*, o Expressionismo* etc.
Picasso tem um museu só para ele, no 3o arrondissement. No Centre Pompidou, no 4éme, encontramos várias obras de outros artistas modernistas. E, por fim, rumando ao sul da cidade, chegamos ao 6éme, na Escola de Belas-Artes e no Museu de Delacroix, pintor que fez sucesso um século antes de Picasso, no movimento romântico. (O surrealista Salvador Dali, que também possui um museu voltado à sua obra, é abordado em “Idéia M – Montmartre”).
Escândalos e rejeição
Dois fatos são bastante comuns na biografia de artistas famosos: ou o escândalo ou a rejeição.
Estes fatos são tão comuns que, como se vê, quase não se fala deles nas biografias dos artistas, neste livro, pois tornar-se-ia algo repetitivo.
Diversos artista “chocaram o público” com suas obras. Mas podemos deduzir que, se não fosse por isto, não teriam sobrevivido nos livros de história. Pois o escândalo significa justamente que o artista não compartilhava das idéias da grande massa de seu tempo (ou, ao menos, fingia não compartilhar, pois alguns, como Dali* e Picasso* foram, reconhecidamente, grandes “marketeiros”). E, se não compartilhava, ao expor as suas concepções estava, ao mesmo tempo em que escandalizava, estava inovando. Geralmente, apenas os grandes inovadores permanecem na história.
Quando surge este choque, algum tempo depois é comum que surjam outros com o mesmo estilo.
Analisemos, por exemplo, o Modernismo. Alguns começaram o movimento, certo? E por que, depois, tantos outros começam a fazer de forma semelhante? Ora, seria ingenuidade pensarmos que um artista surge apenas como “espírito de seu tempo”. Se, em determinada época, “brota” um artista que captou o tal “momento” social, podemos até pensar que tal “momento” iria propiciar o surgimento de outros, obviamente. Mas os artistas, como seres humanos, também são vítimas da vaidade, e também “captam” o sucesso que um artista inovado está fazendo, mesmo que este sucesso signifique um escândalo (“falem mal, mas falem de mim”).
Desta forma, logo após o surgimento de algo efetivamente novo, há uma tendência a surgirem muitos outros parecidos. Nesta balbúrdia inicial, pode mesmo ocorrer de o que primeiro criou, teve a idéia, seja engolido, por algum outro, por motivos mil (influência, talento, marketing etc.), que acaba ficando com os louros da fama. E como saberíamos quem foram os injustiçados desta história? Seria difícil, pois a história vai paulatinamente apagando seus nomes.
Uma análise mais detalhada da obra de Picasso mostra o quanto o mesmo soube manter-se em evidência: inovou, com o Cubismo*. Quando todos passaram a ser cubistas ou qualquer outro “ista” que significaria uma forma nova de se fazer arte, o que ele faz? Volta a pintar quadros “normais”. E, com isto, coloca-se novamente como “diferente”. Quando quebra-se, então, a onda dos “ismos”, ele volta, sozinho, ao Cubismo. Pode-se até não gostar de Picasso, pois o gosto é indiscutível. Pode-se até odiar artistas que utilizem-se destas estratégias para aparecer. Mas, no mínimo, precisamos nos curvar à genialidade deste homem (Picasso ou qualquer outro com este tipo de talento), que, quer aprovemos ou não, conseguiu ser o dono de seu tempo. Isto é uma forma de genialidade, sim.
Duas pequenas histórias refletem a capacidade deste artista de fazer-se notável. Uma: já famoso, alguém encomenda-lhe um quadro. Quando cobra, um valor altíssimo, a pessoa fica indignada: “O quê, tanto por algo que você levou tão pouco tempo para fazer?” Ao que ele reponde: “Eu levei toda a minha vida para poder pintarw este quadro”.
Outra: uma escritora encomenda-lhe um retrato. Ao vê-lo pronto, reclama: “Mas isto não se parece comigo!”. Resposta: “Mas vai parecer, ah, vai...”.
Podem estar contadas de forma diferente do que ocorreram, as histórias, ou podem até não ser verdadeiras, mas mesmo que sejam lendas indicam a possibilidade de que efetivamente ocorressem e, desta forma, mostram como este artista sabia se impor.
Outro fato comum nas biografias dos que hoje são considerados grandes é a rejeição: “não foi aceito em tal exposição”, “não permitiram seu ingresso em tal escola”, “não vendeu bem em vida” etc. E, algum tempo (variável) depois, acabam sendo redescobertos (também por motivos mil – ou descobre-se que sua biografia era interessante, como no caso de Van* Gogh, que cortou a própria orelha e suicidou-se, ou porque algum historiador começa a exaltar seu talento etc.).
Musée Picasso
No lugar dos impostos do inventário da morte de Picasso (em 1973), o Estado recebeu um quarto de sua obra.
O prédio onde está o Museu foi feito em 1656.
É a maior reunião de obras do artista. São cerca de 200 quadros, dezenas de esculturas e 3000 esboços! Obviamente, apenas uma parte fica exposta.
Há um estudo para “As senhoritas de Avignon”, quadro considerado o primeiro do cubismo (e que no filme Titanic está a bordo do navio quando este afunda, o que é um erro grosseiro, já que a tela hoje está exposta em NY – a não ser que alguém a tenha salvado e o diretor do filme não tenha mostrado isto...). O quadro foi pintado quando ele tinha 26 anos.
O Museu também possui “Natureza morta com cadeira de bambu”, obra que introduziu a colagem na pintura.
A instituição inclui também obras de outros pintores da época (Braque*, Cézzane*, Miró*, Matisse*), quadros que pertenciam ao pintor espanhol.
Falar mais da vida dele
Centre Pompidou
Conhecido também como “Beaubourg”, é um museu bastante importante.
É um edifício de arquitetura “modernosa”, com escadas, elevadores e mesmo as tubulações do lado de fora do prédio.
No 5o andar, estão as obras de 1905 a 1960. Vale à pena pela coleção de famosos que abriga: Matisse*, a dupla Braque* e Picasso*, Miró*, Pollock*, Kandinsky*.
No 4o andar, temos a arte contemporânea, e o 1o e o 6o são reservados à mostras temporárias.
O 2o e 3o são dedicados à biblioteca.
Do lado de fora, há uma reconstituição do ateliê de Brancusi*.
Na Piazza, vários artistas de rua se apresentam, e muitas pessoas ficam sentadas ou deitadas no chão, vendo a vida passar.
École Nationale Supérieur des Beaux-Arts
As Escolas de Artes são famosas mais pelas “estupidezes” que cometem impedindo a entrada de gênios do que pelos alunos que regularmente formam. Com esta não foi diferente: reprovou a entrada de Rodin por 3 vezes. Palmas para ela.
(Visita paga.)
Musée Eugène Delacroix
Dedicado ao principal pintor romântico (movimento que antecedeu o Impressionismo* - v. “Idéia F”) francês, que aqui morou, até morrer, em 1863.
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Outras atrações do 3o arrondissement
Musée d`Art et d`Histoire du Judaïsme
O bairro judeu se localiza aqui no 3º arrondissement. O “centro” é a Rue des Rosiers.
Neste museu, conta-se a história do judaísmo, evidentemente.
Hôtel de Soubise
Construído no início do século XIX, abriga parte dos Arquivos Nacionais e também o Musée de l`Histoire de France. Está aqui o testamento de Napoleão*.
Musée Carnavalet
Conta a história de Paris. O destaque são embarcações do período neolítico, descobertas em uma escavação recente no Parc de Bercy.
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Outras atrações do 4o arrondissement
Place des Vosges
Na fronteira com o 3éme, é uma praça inteiramente simétrica, construída em 1605. É considerada por alguns como a mais bonita praça da França.
Tem, de cada lado, 9 casas, sobre arcadas, onde hoje funciona um comércio chique.
Hôtel de Sens
Um edifício medieval, que hoje sedia uma biblioteca de arte.
(Visita paga.)
St-Gervais – St-Protais
Uma igreja cujas origens remontam ao século VI, mas a fachada é do século XVI, com colunas* coríntia, dórica e jônica.
Também tem concertos de órgão (quando??).
Hôtel de Ville
A Prefeitura de Paris. Era a Câmara Municipal, no século XVII, que foi incendiada na Comuna de Paris* (1871), e depois reconstruída.
(Visita ao interior apenas para grupos, com hora marcada.)
Tour St-Jacques
Era, na Idade Média, uma igreja onde se reuniam peregrinos antes de partirem para o Caminho de Santiago. O filósofo Pascal* utilizava a torre para experiências. A igreja foi destruída pelos revolucionários em 1797, restando apenas a torre.
(Interior fechado ao público.)
Maison de Victor Hugo
Residência do escritor Victor* Hugo, responsável pelo sucesso da figura do “corcunda de Notre Dame”, foi parcialmente reconstruída e restaurado o ambiente em que ele trabalhava.
Place de la Bastille
A Bastille era uma prisão, que foi tomada pelos revolucionários em 14 de julho de 1789 (o Marquês* de Sade lá estava, nesta época), data que simbolicamente passou a ser a data nacional. A prisão não resta mais, e esta praça foi construída em homenagem às vítimas de outra “revolução”, de 1830.
No lado sul da praça está a Opéra Bastille, feita em 1989, bicentenário da Revolução* Francesa.
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Outras atrações do 6o arrondissement
St-Germain-des-Prés
A mais antiga igreja da cidade, cujas origens remontam ao ano 542. Porém parte dela foi destruída em um grande incêndio. Já passou por algumas restaurações. Seu interior é uma mistura de vários estilos. Apenas uma das 3 torres originais está de pé.
Aqui está o túmulo do filósofo Descartes*.
Rue de l`Odeon
Muitas casas do século XVIII.
Palais du Luxembourg
Construído para que a rainha Maria de Médicis (1573 – 1642), esposa de Henrique IV (ver), se lembrasse de sua terra natal, Florença. Quando foi concluído ela já havia sido expulsa da cidade.
Na II Guerra Mundial, foi um QG alemão. (Visita apenas para grupos, agendados.)
O Jardin du Luxembourg possui estátuas antigas e é um lugar ótimo para um descanso, para ler uma revista, para se colocar as pernas para o ar. Há cadeiras espalhadas, não é preciso “alugá-las”, e às vezes é possível até pegar-se um leve sol.
St-Sulpice
Uma igreja também, que levou mais de um século para ficar pronta (terminada no século XVIII). O interessante nela são suas duas torres, que são diferentes. Na capela há murais de Delacroix*.
IDÉIA J
A agitação cultural do ENTRE-GUERRAS, O EXISTENCIALISMO e o MAIO DE 68:
Q. LATIN (5éme), MONTPARNASSE (15éme)
A “Idéia J” completa a “Idéia I” – as duas representam épocas semelhantes, mas foram separadas para permitir uma visita detalhada às duas.
Flanar pelo Boulevard St-Germain e pelo Quartier Latin nos faz evocar os existencialistas e o Maio de 68....
O quartier recebeu este nome por causa da língua falada pelos estudantes da Sorbonne, fundada no século XIII.
A região foi reduto da vida intelectual entre guerras (o café Les Deux Magots era o “point”), assim, como Montparnasse, e estas regiões também estiveram em alta conta também no período após a II Guerra Mundial.
Paris foi “invadida” por artistas no começo do século XX, com destaque para os escritores e os jazzistas.
O americano Hemingway* foi um destes escritores. Após o sucesso de “O velho e o mar”, recebeu o Nobel de Literatura. Seu livro “O sol também se levanta” fala da experiência dos “exilados” em Paris. Morreu suicidando-se. Seu livro póstumo “Paris é uma festa”, ao contrário do que o nome poderia dizer, não é exatamente uma exaltação à Paris, mas divagações sobre o ato de escrever e uma história autobiográfica velada sobre um romance difícil que teve.
A escritora americana Gertrude* Stein, autora do famoso verso “Uma rosa é uma rosa é uma rosa”, já vivia na cidade desde 1903 e recebeu o escritor. Convivia também com Picasso*. Conta-se que ele pintou um quadro dela e ela reclamou: “Isto não se parece comigo”. Ele respondeu: “Mas certamente vai parecer, certamente...” Sua casa (27, rue de Fleurs, 6éme) era ponto de encontro da vanguarda.
O americano Fitzgerald*, autor de “Suave é a noite” e “O grande Gatsby”, também passou uma época em Paris.
O escritor irlandês James* Joyce, também viveu por aqui. Em 1922 foi publicado seu romance “Ulisses”, hoje considerado o mais importante do século XX, mas que à época foi proibido, acusado de obscenidade. A história toda se passa em um único dia na vida de um homem comum. É autor também de “Finnegans Wake”, talvez o livros da história da literatura mais difícil de ser lido, pois mistura várias línguas (dentro de uma mesma palavra!) e de “Retrato do artista quando jovem”. Casou-se “com a primeira mulher com quem fez sexo de graça”, uma mulher desinibida pela qual se apaixonou (ele tinha saído do seu país por causa da lá reinante intolerância dos católicos), e “morria” de ciúmes dela. Suas cartas obscenas a ela (nome) acabaram sendo publicadas postumamente: "Foste tu que enfiaste a mão lá embaixo dentro de minhas calças e empurraste de leve minha camisa e seguraste minha pica com teus dedos compridos e comichentos e foste aos poucos agarrando-a toda, dura e gorda como estava, com tua mão e me bateste punheta devagar até que eu gozasse entre teus dedos, debruçada sobre mim todo o tempo e fitando-me com teus olhos tranqüilos que parecem de santa."; "Naquela noite, bem, tua bunda estava cheia de peidos, e com a foda eu os fiz sair, grandes e gordos, prolongados e cheios de vento, estalinhos rápidos e alegres e uma porção de peidinhos pequeninos e travessos que terminavam num jorro demorado por teu buraco. É maravilhoso foder uma mulher peidorreira quando cada metida faz sair um."; “Ensinei-te a quase desmaiar quando ouves minha voz cantando ou murmurando à tua alma a paixão e a tristeza e o mistério da vida e ao mesmo tempo ensinei-te a fazer trejeitinhos indecentes com a língua e os lábios, a excitar-me por meio de toques e ruídos obscenos, e até a fazer na minha presença o ato mais sujo e vergonhoso do corpo. Lembra-te do dia em que levantaste a roupa e me deixaste ficar deitado por baixo de ti vendo-te fazê-lo? Depois ficaste com vergonha de me olhar nos olhos." E por aí vai...
A II Guerra Mundial freou o afluxo artístico à cidade. Porém, no pós-guerra, mesmo com a crescente hegemonia cultural americana, até os anos 70 Paris ainda viveu dias de glória.
Nesta mesma região da cidade, se reuniam os pensadores do existencialismo, como Sartre (o Café de Flore era seu predileto, era quase seu “escritório”) e Camus, além de artistas, como os cineastas da Nouvelle* Vague.
Falemos destes dois filósofos.
Jean-Paul Sartre* (1905 - 1980): filósofo e escritor francês, foi o principal expoente do Existencialismo*, filosofia que dizia que o ser humano é responsável por todas as suas escolhas. “A existência precede a essência”, sendo que a essência era uma criação espontânea de cada um. “O homem está condenado a ser livre”. Sua principal obra é o volumoso “O Ser e o Nada”. Seus livros literários de certa forma ilustravam suas teses. Tinha uma relação aberta com Simone* de Beauvoir, que ficou famosa por defender a mulher (obra mais conhecida: “O segundo sexo”). Apesar de sua figura estranha, enormemente estrábico, foi bastante popular, e seu enterro foi acompanhado de grande comoção.
Albert Camus* (1913 – 1960) também foi filósofo e escritor. Nasceu na Argélia, colônia francesa. Escreveu “O mito de Sísifo”, “O estrangeiro” e “A peste”, entre outros. Acreditava que a existência humana tinha um tanto de absurdidade, e que a liberdade possível estava em reconhecer este absurdo.
Em 1957, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Em 1964, Sartre o recusou (e também a enorme quantia de dinheiro que acompanha a premiação...), dizendo, “estilosamente”, que nenhum homem pode ser consagrado antes de sua morte, e que aceitá-lo o levaria a um pedestal que o aprisionaria. (Quando morreu, e mesmo assim foi consagrado, não teve, entretanto, como voltar e receber o dinheiro...)
A efervescência cultural do período culminou no movimento de Maio de 68. Este ano foi especialmente agitado em todo o mundo. As economias ocidentais iam bem, mas a juventude não estava satisfeita: clamava por mais liberdade, por uma ideologia do poder que não visasse apenas o lucro.
Na república tcheca, houve a Primavera de Praga, que foi uma maior abertura política no país, comunista. Porém a Rússia o invadiu e acabou com a festa. Houve o festival de Woodstock e, nas Olimpíadas, os negros saudavam suas vitórias apenas com um punho cerrado ao alto, lembrando a morte do líder Martin Luther King e a morte de negros em recentes conflitos raciais. Pessoas exigiam o fim da guerra do Vietnã. As mulheres queriam direitos iguais. Na Polônia, estudantes também protestavam, e a universidade foi fechada. Na Iugoslávia, Tito conciliou-se com os estudantes. No México, estudantes foram massacrados. Na Irlanda, na Alemanha Ocidental e na Itália também houve grandes revoltas. No Brasil, iniciava o período mais duro da ditadura militar.
Porém, foi na França que o movimento tomou características mais singulares. O filósofo francês Herbert Marcuse* (1908 – 1979), na sua obra “O homem unidimensional” (de 1964), já denunciava a burocratização da sociedade. Em seu livro “Eros e Civilização”, de 1955, já havia um convite à liberação dos instintos.
Os trabalhadores acabaram se unindo, na França, aos protestos dos estudantes, porém os braçais queriam melhorias nos salários e nas condições de trabalho. A “revolução” dos jovens não foi como as anteriores revoluções sangrentas que o país já tinha assistido: as armas eram pichações, cartazes, panfletos, megafones. Nos conflitos com a Polícia, o máximo de violência utilizada foram estilingues e pedras, nas barricadas. Os slogans eram criativos e muitos ficaram famosos: “É proibido proibir!”, “A beleza está nas ruas.”, “Sejam realistas, exijam o impossível!”, “A imaginação no poder!”, “Quando o dedo mostra a lua, o imbecil olha o dedo.”, “Faça o amor, não faça a guerra.”. E o sensível “As paredes têm ouvidos; os ouvidos têm paredes.”
O governo tentou reprimir, e então ocorreram as barricadas, com pneus fechando as ruas. Cerca de 200 mil pessoas estavam nas manifestações. A maioria ocorreu nas imediações do Quartier Latin. A Sorbonne tinha sido fechada pelo governo pela primeira vez desde a Idade Média.
A “Noite das Barricadas”, em 10 de maio, foi o dia mais intenso. Mais de 400 presos, mais de 300 feridos, quase 200 carros incendiados. Na semana seguinte o movimento foi perdendo o vigor. Como os estudantes não pegavam em armas de fogo, os dirigentes permaneceram no poder, porém passou a haver uma maior discussão acerca dos valores a serem praticados doravante.
No ano seguinte, o general de Gaulle (no poder desde o fim da II Guerra Mundial, quando comandou a Resistência) renunciou.
Hoje o boulevard perdeu boa parte do charme original, sendo mais um ponto turístico que cultural.
La Sorbonne
Fundada em 1253, é a sede da Universidade de Paris. Começou como uma escola de teologia para 16 letrados pobres.
Durante a Revolução*, opondo-se às idéias liberais, foi fechada, e depois reaberta por Napoleão*. Em 1969, foi dividida em 13 unidades (Paris 1, Paris 2 etc.).
O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, estudou aqui, por um período.
(Visitas agendadas.)
Place St-Michel
Foi o epicentro da Comuna* de Paris, em 1871, e no “Maio de 68” foi palco de manifestações e balbúrdia.
Montparnasse
O quartier ocupa a fronteira entre o 14o e 15o arrondissements. O nome surgiu como ironia: na Grécia antiga, o monte Parnaso era consagrado à beleza e às artes. Mas, no século XVII, um grupo de estudantes de artes fez um trabalho que composto por um monte de entulho e assim o nomeou.
No século XIX, era região de cabarés e bares. No entreguerras, muitos artistas freqüentavam o local, como Hemingway*, Picasso*, Cocteau*, Matisse*, Modigliani* (v. também “Idéia I”)
No local se destaca, hoje, um enorme prédio de escritórios, a Tour Montparnasse. A seus pés (entre a rue du Départ e a rue de lá Gaîté), encontramos o Marché Parisien de La Creation, reunião de cerca de 120 artistas que ali fazem e vendem suas obras.
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O restante do 5o arrondissement
No. 29 da Avenue Rapp
Vencedor do concurso de fachadas em 1901, é um belo exemplo da Art* Nouveau.
Musée National du Moyen Age (Musée de Cluny)
Uma das mais importantes coleções de arte medieval. O prédio foi contruído no fim do século XV.
Contém também ruínas de termas galo-romanas.
St-Séverin
Igreja que recebe o nome de um eremita do século VI, Saint-Séverin representa o estilo gótico. Levou 3 séculos para ser concluída, terminada apenas no século XVI.
No jardim, uma casa medieval contém um ossuário.
St-Julien-le-Pauvre
Construída nos fins do século XII, na época da Revolução* esta igreja foi usada para estocar ração para animais. Desde 1889 pertence à igreja ortodoxa grega.
St-Etienne-du-Mont
Nesta igreja, misto de gótica e renascentista, está o santuário de Santa Genoveva (padroeira de Paris) e os restos de Racine* e Pascal*.
Panthéon
Igreja idealizada por Luís XV para celebrar sua recuperação de uma grave doença, é dedicada à Santa Genoveva, padroeira da cidade. Foi tomada pela Revolução*, e transformada então em um panteão para abrigar túmulos dos heróis franceses. Foi devolvida por Napoleão* à Igreja, mas posteriormente foi retomada, e ainda redevolvida e, desde 1885, foi tornado público.
Estão aqui Voltaire*, Rousseau*, Zola*, o casal Curie*, Dumas* e Maulraux* (seus restos mortais, obviamente).
(Visita paga.)
Fontaine de l`Observatoire
Val-de-Grâce
Construída para celebrar o nascimento de um filho de Luís XIII – Luís XIV, o “Rei-Sol”. O próprio Luís XV lançou a pedra fundamental da Igreja, em 1645.
(Visita paga.)
Muséum National d`Histoire Naturelle
Museu de paleontologia, botânica, entomologia etc.
Jardin des Plantes
Jardim botânico (plantas de vários locais) e zoológico.
Vá ver se o urro do leão, em francês, é diferente!
(Entrada franca.)
Institut du Monde Arabe
Arte islâmica. A arquitetura do prédio é moderna, sua fachada é feita de painéis fotossensíveis.
(Visita paga.)
Mosquée de Paris / Institut Musulman
Os melhores banhos turcos da cidade, e um recomendado salão de chá.
(Visita paga.)
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Outra atração do 15o arrondissement
Parc André Citroën
Esculturas.
(Entrada franca.)
IDÉIA L
Os MORTOS de Paris - o 14o arrondissement
Como dito, Montmartre fica na fronteira entre o 14o e 15o arrondissements. O quartier já foi comentado no capítulo antecedente, por isto será analisado, agora, o restante do arrondissement.
A França sempre ocupou um local de destaque na História mundial, por isto têm muitos mortos famosos. É comum o turismo chegar até seus cemitérios. Não só pela quantidade de nomes históricos enterrados, mas pela beleza serena dos locais. O mais famoso é o Cimetière du Père Lachaise (20éme), o qual será visto mais adiante.
Contudo, tais mortos não estão apenas em cemitérios, mas, como você já pôde ler anteriormente, é comum que em igrejas, por exemplo, estejam enterradas pessoas conhecidas. Um cemitério interessante é o de animais, onde está enterrado o cachorro Rintintin*, perto de Paris (Asnieres-Sur-Seine, 92600; v. adiante)
Porém algo mais bizarro, e que está no 14o, são as catacumbas...
Catacombes
Cavadas na pedra, as catacumbas foram criadas para resolver o problema das superlotações dos cemitérios, em 1785 – o Cimetière des Innocents, no quartier des Halles, por exemplo, vinha sendo usado há dez séculos e era um foco de infecção.
Desce-se 20 metros para adentra-las.
Seus túneis serviram à Resistência, na II Guerra Mundial.
(Visita paga.)
Cimetière du Montparnasse
Foi inaugurado em 1824 e “logo se tornou um lugar da moda” (!) (Guia Visual Folha). Aqui estão Baudelaire*. Sartre*, Simone* de Beauvoir, e Guy* de Maupassant.
Parc Montsouris
IDÉIA M
Subindo as colinas de MONTMARTRE: do 2éme ao 18éme (via 9éme e 17éme)
O 2o, 9o e 17o arrondissements representam a zona norte da cidade e também são pobres em atrações turísticas, como a zona leste. Optamos por juntá-los, em um caminho que leva à região de Montmartre (18éme), esta sim famosa.
O nome do quartier, “Montmartre”, é uma homenagem à mártires mortos aqui no ano 250 (mons martyrium).
Localizado em uma colina, a região, por sua vista, sempre foi um local freqüentado por pintores, como Utrillo*.
Possui, ainda hoje, alguns estabelecimentos que datam de sua época áurea (como o Moulin Rouge), e preserva um charme de local antigo, apesar do afluxo turístico. Destacam-se na região a basílica Sacre-Coeur, o museu destinado ao polêmico surrealista* Salvador Dali* e o Mercado de Pulgas.
2o arrondissement
Les Passages
São arcadas do início do século XIX, que abrigam comércio variado.
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9o arrondissement
Opéra de Paris Garnier
Idéia de Napoleão* III, sua construção terminou em 1875. A escadaria de mármore, o lustre imenso e o teto pintado por Chagall* (em 1964, apenas) são pontos altos da visita. Divide, com a Bastille, as principais óperas.
(Visita paga.)
Musée Grevin
Museu de cera. Há também anexo um museu de ilusões ópticas.
Musée Gustave Moreau
Aqui morava o pintor simbolista Gustave Moreau (1826 – 1868), cujas obras retratam histórias bíblicas e da Mitologia. Estão aqui cerca de 1000 quadros e 7000 (!) desenhos.
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17o arrondissement
Parc Monceau
Suas construções datam de 1778, com algumas misturas arquitetônicas.
Pertencia a um duque, depois foi tornado público.
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18o arrondissement
Sacré-Coeur
No início da Guerra Franco-Prussiana, no século XVIII, dois comerciantes prometeram construir uma igreja se a França não fosse invadida. Foi, mas como a França acabou vencendo, cumpriu-se.
Em uma capela está guardado o coração de um dos dois comerciantes.
O interessante é que praticamente todas as igrejas da França, em qualquer guia, vêm acompanhadas de “magnífica, linda”. Neste caso não: “nunca foi considerada especialmente bonita” (Guia Visual Folha). Confira por si próprio. Eu
Espace Montmartre Salvador Dalí
Mais de 330 obras do artista surrealista*.
O pintor sempre foi polêmico, e juntamente com sua esposa fazia de tudo para promover-se. São famosas suas imagens dos relógios derretidos, mas ao final da carreira Dalí já era uma caricatura de si mesmo, e chegou a vender folhas em branco com seu nome assinado.
Musée d`Art Naïf Max Fourny
Cerca de 600 obras naïf * (desenhos “ingênuos”).
Cimetière de Montmartre
Berlioz*, o cineasta Truffaut*, o bailarino russo Nijinsky* e Jacques* Offenbach (que compôs o cancã) estão aqui.
Marché aux Puces de St-Ouen
Este é o maior e mais antigo “mercado de pulgas” da cidade. Mas não espere encontrar pulgas à venda, nem produtos para suas pulgas: o nome só quer dizer que é um mercado de antigüidades e objetos usados.
Por ser muito famoso, os preços são mais elevados.
Moulin Rouge – construído em 1885, imortalizado nos cartazes do pintor Toulouse-Lautrec*.
IDÉIA N
Chega de trocadilhos: chegamos ao TROCADÉRO (16o: arrondissement)
Estamos perto do fim das principais atrações turísticas da cidade. Na margem direita do Sena, na região da Torre Eiffel, estão, em frente ao Palais de Chaillot, os Jardins du Trocadéro. Ele inicia-nos neste arrondissement, que, apesar de ter muitas atrações, são bastante parecidas entre si: museus menores, dedicados à algum assunto específico: a cultura africana, a chinesa, o museu da moda etc. Contudo, dentre todos um se destaca, o Musée Marmottan, com muitas obras do impressionista* Monet* (v. “idéia F – impressionismo”), inclusive a que deu nome ao movimento.
Jardins du Trocadéro
Possui uma fonte de rara beleza, quando iluminada à noite, com suas estátuas, inclusive do artista Georges Braque*.
Palais de Chaillot
Projetado para a Exposição* Universal de 37, abriga alguns museus.
Nas paredes, inscrições em ouro do poeta Paul Valéry*. O Musée de l`Homme (visita paga??) conta a história da humanidade – há uma múmia inca. A Cinémathéque Française (visita paga?) exibe clássicos.
Musée Marmottan
Leva o nome de um historiador, que doou a casa e sua coleção de arte. O mais importante, entretanto, são obras de Monet posteriormente doadas por seu filho, entre elas “Impressão – Sol nascente”, que deu origem ao nome do movimento artístico Impressionismo*, além de obras de colegas que também pertenciam ao pintor (Pissarro*, Renoir*, Sisley*).
Pq fonte menor
Musée d`Art Moderne de la Ville de Paris
Bom local para se ver os fauvistas* (como “A dança”, de Matisse*) e os cubistas*.
Musée Dapper
Museu da cultura africana.
Musée de la Mode et du Costume Palais Galliera
Mais de 100 mil trajes desde o século XVIII.
(Visita paga, mas só funciona em duas exposições anuais. É 01 56 52 86 00)
Musée National des Arts Asiatiques Guimet
Musée National d`Ennery
Arte chinesa e japonesa do século XVII ao XIX.
Fondation le Corbusier
Localizada nas primeiras casas feitas em Paris pelo arquiteto e urbanista “Le Corbusier*” (1887 – 1965, suíço), um dos mais famosos do mundo (dentre as pessoas influenciadas por ele, o brasileiro Oscar Niemeyer, responsável pela construção de Brasília).
(Visita paga.)
Rue de la Fontaine
Construções do início do século XX. No número 14, Castel Bérenger, que deu fama à Guimard, autor das entradas Art-Nouveau* dos metrôs.
Bois de Boulogne
Organizado por Haussmann*, possui uma vila com um interessante jardim de rosas. Perigoso à noite.
(Visita paga.)
IDÉIA O
A FLÂNERIE continua: 10o, 11o, 12o, 13o, 19o e 20o arrondissements.
Como dissemos, estes 6 arrondissements juntos têm apenas 8 pontos turísticos normalmente recomendados. Na verdade, o 11o não tem nenhum e por isto falamos dele em um capítulo anterior, à parte (“Idéia G”).
Estes 6 arrondissements formam a zona Leste da cidade. Um cemitério, dois parques, uma biblioteca, um canal, dois museus... A exceção do Cité des Sciences et de l`Industrie, no 19o, tudo convida à flanar por esta área enorme da cidade...
Com eles, terminamos nossas andanças pelos pontos turísticos de Paris. Cumpridas as “obrigações”, talvez agora venha o melhor para o flâneur...
10o arrondissement
Musée du Cristal de Baccarat
Canal St-Martin
Inaugurado em 1825. Ainda hoje se vêem pescadores em sua borda.
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12o arrondissement
Bercy
Antiga região de comércio de vinhos, hoje tem alguns museus e um parque. Aqui está a nova Cinematéque (??)
Musée National des Arts d`Afrique et d`Océanie
Em um prédio Art Déco.
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13o arrondissement
Bibliothéque Nationale de France
São 10 milhões de volumes, abrigados em 4 torres, que têm o formato de um gigantesco livro aberto.
(Visita paga.)
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19o arrondissement
Cité des Sciences et de l`Industrie
Complexo dedicado à ciência. A Geóde é um cinema com uma tela esférica gigantesca.
Parc des Buttes-Chaumont
Obra especialmente de Haussmann* e Alphand (responsável pela padronização de bancos, luminárias, bancas de jornal etc. de Paris). Cascata, templo romano, uma ilha artificial, etc.
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20o arrondissement
Cimetière du Père Lachaise
Cemitério mais famoso da cidade. O nome vem do dono antigo do local, que era confessor de Luís XIV. O cemitério foi idealizado por Napoleão*. Passou a receber os corpos da burguesia, tendo que ser várias vezes ampliado. Aqui estão Balzac*, Chopin*, Jim* Morrison (americano, vocalista da banda The Doors) e o ator Yves* Montand*.
IDÉIA P
Uma esticadinha aos ARREDORES DE PARIS
Paris já tem coisas demais. Porém Paris não acaba nos seus limites oficiais: a cidade se junta à ou tem muito próxima de si várias outras cidades. Dentro destas também há algumas coisas interessantes.
Região 92:
La Défense
Um enorme cubo oco, onde caberia a Notre-Dame. É o maior conjunto de escritórios da Europa, e possui fornece uma vista muito interresante da cidade. O nome vem de uma pequena estátua (que geralmente passa desapercebida) que homenageia a resistência francesa na Guerra Franco-prussiana*.
Uma linha imaginária liga a contrução até o Museu do Louvre, passando pela Av. Charles de Gaulle, Arco do Triunfo, Champs-Elysées, pelo obelisco da Place de la Concorde, o Jardin des Tuileries, o Arco do Trinfo do Museu, e pela pirâmide de vidro.
(Visita paga.)
Cimetière des Chiens (4, pont de Clichy)
Inaugurado em 1899. Todos os tipos de animais estão aqui. De hamsters a leões. Anônimos e famosos. Com lápides ricas ou simples. Rintintin* está aqui.
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Região 94:
Château de Vincennes
Primeira residência real permanente, até a mudança para Versailles.
(Entrada franca??)
Aqueduc Gallo-Romain (27, av. de Stalingrad)
Aqueduto do século II, quando a região onde hoje está a França fazia parte do Império Romano.
Aqueduc des Eaux de Rungis à Cachan
Construído no século XII por Marie de Médicis para levar água ao Palais du Luxembourg.
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